08/09/2012 – 19:09
Questionamentos da eleição de Ponta Porã invadem a tela dos douradenses, em detrimento dos candidatos locais.
Pena que meu amigo José Batista de Oliveira esteja nas últimas e não possa dar um telefonema a seu Zahran, como fazia quando ensandecidos torcedores da seleção brasileira ameaçavam pôr abaixo a torre da repetidora da TV Morena em Dourados pela péssima qualidade do sinal em épocas de Copa do Mundo. Se ao menos pudesse atravessar os poucos metros que separam sua velha casa de tábuas da guarita da TV que ao longo desses anos cuidou com tanto zelo certamente se sensibilizaria com os reclames do eleitorado douradense, mais ainda se Murilo Zauith ou de Keliana Fernandes passassem por lá para um cafezinho e reforçassem o apelo. Também não lhe faltaria argumentação jurídica para justificar a exibição da propaganda dos candidatos locais na programação global, pelo privilégio de vizinhar com Sérgio Henrique Pereira Martins de Araújo, que conheceu ainda nos cueiros e a quem até poucos dias, com a curiosidade que lhe é peculiar, recorria por cima do muro para se inteirar dessas questões.
Muitos anos atrás, quando o seu Zahran sequer imaginava a hipótese de um dia ser obrigado a montar uma estação de televisão em Ponta Porã (história que já cansei de contar aqui neste espaço), a repetidora da TV Morena em Dourados já se utilizava de um expediente conhecido como faixa dois. A gambiarra, com a desculpa de baratear as inserções comerciais para a clientela douradense, era, na verdade, um jeitinho de viabilizar o negócio da emissora que ainda vivia as expensas da Copagaz. Os tempos mudaram, veio a tecnologia de ponta, o satélite manda sinal digital em lugar dos chuviscos que chegavam por linhas físicas, mas, no quesito propaganda eleitoral pela televisão parece que temos que dar razão ao ex-deputado Dagoberto Nogueira, para quem Dourados cresce como rabo de cavalo.
Embora dos maiores beneficiados por utilizar a mesma TV Morena como vitrine de minha sazonal produção de programas eleitorais, impossível fazer vistas grossas para um problema tão fácil de resolver. Sempre que pude, quando estive à frente deste mesmo tipo de empreitada, em Dourados, provoquei discussões a respeito, mas me deparando com a esfarrapada alegação das impossibilidades técnicas e legais. Tudo balela, já que bastaria ao grupo que ostenta tanto poder deslocar um ou dois técnicos para dar um start nos intervalos comerciais para que o eleitorado douradense tivesse a oportunidade de ver as propostas de seus candidatos e não dos de Ponta Porã.
Nenhuma dúvida que lá de cima o Zahran que mais gostava de Dourados, meu amigo Fábio, deve estar incomodado com tanta incompetência. Não bastasse essa esdrúxula situação de candidatos de Ponta Porã invadindo lares douradenses em tão nobre espaço da única emissora com audiência local e cujo faturamento é quase todo gerado na terra de seu Marcelino, vira e mexe o telespectador-consumidor também fica atazanado das ideias ao ver promoções de empresas, de outras cidades, diante da desinformação das peças publicitárias quanto a endereços. Nada que a boa e velha “casseteira” dos tempos de seu Zé Batista não possa resolver. E menos mal que o voto é eletrônico, pois se fosse nas antigas cédulas de papel certamente Álvaro Soares, Ludimar Novaes e Hélio Peluffo arrebentariam a boca do balão nas urnas douradense.
