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quarta-feira, julho 1, 2026

Novos escândalos petistas podem afetar economia douradense

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18/12/2012 – 21h31

Quando revelei aqui as transações para a venda da Fazenda Paquetá, paralelamente a implantação de outros investimentos privados financiados com recursos federais, tudo coincidindo com as discretas incursões do todo poderoso José Dirceu à terra de seu Marcelino, alguém, que desconfio com assento no salão azul do Congresso Nacional e com fortes ligações com o Planalto, desdenhou, na sessão de comentários, dizendo que eu deveria estar com febre. Volto ao tema agora, não apenas a propósito da iminente prisão de Zé Dirceu, o chefe da quadrilha do mensalão, mas, também, pelo provável desfecho das novas revelações de Marcos Valério, o operador do mensalão, dando conta que Lula da Silva não só sabia do esquema como dele foi beneficiário. E, principalmente, pelo mais recente escândalo petista envolvendo segredos até agora guardados sob os perfumados lençóis de uma suíte voadora quando o mais ilustre passageiro do Airbus presidencial era o mesmo Lula da Silva, cujos amigos (além de Dirceu) e familiares podem agora ter seus interesses afetados, com reflexos diretos na economia douradense.

Para mim só aquela história do olho do dono que engorda a boiada justificaria Lula da Silva se arriscar com um avião daquele tamanho, ainda mais num mês de agosto (2010), numa pista para teco-tecos como a do aeroporto Francisco de Matos Pereira com a desculpa de inaugurar umas obrinhas da UFGD, incluindo uma piscina cheia de vazamentos, e a duplicação meia-boca de uma rodovia entre o Sindicato Rural e a Embrapa. Pior, tendo de dividir holofotes com o Valdecir e sua caterva já sob os ventos uragânicos. Convicção reforçada pelo aperto de um conhecido produtor rural douradense com uma colheitadeira emperrada numa vicinal próximo a Laguna Carapã ao ser abordado pela Polícia Federal. Nada de irregularidade com a máquina, mas sendo obrigado a desobstruir a estrada para dar passagem a uma comitiva desembarcada de um jatinho em Ponta Porã tendo à frente ninguém mais ninguém menos que o mais novo fenômeno do empreendedorismo nacional, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, interessado em conhecer o potencial sucroalcooleiro da região.

Agora, quanto mais escândalos fazem chacoalhar a rampa do Planalto que os petistas sonham continuar subindo pelo menos até se dissiparem totalmente os efeitos das catastróficas previsões do calendário Maia, mais escura é a fumaça expelida pela Usina São Fernando, oficialmente propriedade dos Bumlai, cujo patriarca, amigo do peito de Lula, era único não-governamental poupado do cara-crachá no elevador privativo de acesso ao gabinete presidencial nos anos dourados em que os recursos para suas empresas abundavam na medida em que se aprimoravam o corte e a maciez das picanhas de suas vacas de brinquinhos servidas ao presidente na Granja do Torto.

Estrela maior desta nova fase desenvolvimentista, a São Fernando, em operação há três anos, chegando já a 70% de sua capacidade operacional projetada para cinco milhões de toneladas/safra, começa a ser motivo de preocupação entre os parceiros que destinam hoje cerca de 50 mil hectares de suas terras para a atividade, já que o ativo da empresa, avaliado em R$ 800 milhões, não cobre as dívidas, calculadas cerca de R$ 1,2 bilhões. Tanto que a média de atraso de pagamento aos parceiros em 2012 chega a dois meses, num crescente bolo que já passa dos R$ 10 milhões.

Por todo esse histórico de Lula da Silva com os Bumlai e, agora, com a estrela maior do PT correndo o risco de ir fazer companhia a Zé Dirceu – e por que não? – no xilindró é que os produtores de cana de Dourados começam a pôr as barbas de molho, torcendo para que esse flagra no escritório da Presidência da República em São Paulo não passe de mal entendido, coisa de PF acabrunhado por baixos salários, de tucano frustrado ou de jornalista metido a besta. Mas reza, mesmo, é para que a coisa não chegue às mãos do temido presidente do STF, Joaquim Barbosa, pois, aí, sim, o caldo da cana pode entornar de vez.

Por via das dúvidas, o grupo Bumlai se apega aos mais sagrados princípios da cristandade, fazendo a caridade por onde passa, por meio de creches, como a inaugurada não faz muito tempo no BNH 4º. Plano. E para que não falte reza, construindo igrejas sempre próximas aos seus empreendimentos, como a que é comandada pelo padre Pio, na Vila Cachoeirinha.

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Usina São Fernando, em Dourados. (Foto: Anita Tetslaff)

Lula e Valdecir em 2010, no Trevo da Bandeira. (Foto: Valmir Leite)

Igreja construída pelo grupo Bumlai, na Vila Cachoeirinha (no detalhe, placa de inauguração do Ceim do BNH 4.o Plano). (Foto: Anita Tetslaff)

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