28/12/2008 – 23:12
O anúncio do secretariado do prefeito Ari Artuzi, previsto para a manhã desta segunda-feira, está cercado de muita expectativa, pois é o último ato de um enredo até aqui cheio de emoções (pra não dizer trapalhadas), depois que o eleitorado de Dourados resolveu confiar seu destino a um simples carregador de toras de mãos calejadas. A propósito, não custa repetir, aqui e agora, o velho dito popular: “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.
Ou Artuzi surpreende (será que dá tempo?), anunciando um baita secretariado, com a elite dos técnicos e políticos que tem à disposição, ou, confirmando os nomes que correm de boca em boca, de coluna em coluna, se afunda, de cara, num mar de mediocridade cujas ondas poderão acabar não só com as esperanças de seu imenso eleitorado, como também com as daqueles que não votaram nele, mas que não se agüentam mais de ansiedade pela tão prometida sacudida na cidade por ele prometida. Com raras exceções, os nomes até aqui vindos a público deixam muito a desejar, principalmente diante de tudo o que se sabe quanto ao perfil do novo prefeito.
Depois de tudo o que foi dito e escrito até aqui sobre a questão, seria preferível, até, mais um adiamento, mais um tempo, para que o prefeito reflita exaustivamente e consiga se livrar das amarras (e põe amarra nisso!) que o impedem de montar um grande time. Não é porque Barack Obama (que tal a comparação?), que se elegeu depois dele, já está com a equipe quase toda montada e anunciada ao mundo, que ele tem que fazer o mesmo. Como embromou até agora, que espere até a posse, que assuma com dois ou três – os essenciais – secretários, ganhando tempo para melhor conhecer a máquina que terá que conduzir pelos próximos quatro anos, para, depois, gradativamente, ir preenchendo os cargos. Erraria menos, com certeza.
Mas este é outro problema: ter humildade para admitir e reconhecer erros. Além do tal perfil (ou por não tê-lo, para ser prefeito) é público e notório que Ari Artuzi é de um temperamento muito difícil, até pelas limitações que a vida lhe impôs. Engana-se, por exemplo, quem se deixou levar pelo seu fortíssimo marketing pessoal, por sua simpatia contagiante e por seu jeitão espalhafatoso, sempre distribuindo abraços e tapões nas costas. O homem, segundo gente de sua cozinha, não é flor que se cheire e, pior, está se achando, depois de eleito prefeito, segundo os que o conhecem há mais tempo
Normal, até, observam esses que se consideram mais íntimos, que ele tenha passado a conjugar o verbo mandar com mais freqüência, mas, preocupante, é a ênfase que dá quando o faz, repetidamente, sempre na primeira pessoa do presente do indicativo, mandando às favas a hierarquia e o companheirismo políticos, a partir do instante em que o “pulo do gato”, muito mais que saber montar uma equipe, é conseguir manter esta equipe unida e coesa.
Entre as muitas coisas que tem dito em sua prestação de contas à população, o prefeito que sai, Laerte Tetila, tem creditado à capacidade e ao bom entrosamento de seus assessores o grande legado de sua administração. Como intelectual, homem sereno e pacificador, o professor Tetila deu uma grande aula de trabalho em equipe, administrando e deixando administrar. Que Artuzi, ensarilhando as armas da campanha, se espelhe neste professor de geografia que fez história como um dos maiores administradores que Dourados já viu. É hora de trabalhar. Acabou a brincadeira.
