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Um líder chapeludo

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11/01/2009 – 17:01

Minha grande expectativa em relação ao time escalado pelo povo para defender as cores do velho Jaguaribe na difícil peleia contra os descamisados do Canaã I, no campeonato oficial que começaria em fevereiro, era muito mais para os detalhes de adereços do que propriamente do uniforme de seus craques, não restando dúvida quanto à predominância do amarelo e do azul da bandeira da terra de Antonio João. Como, a pedido do técnico adversário, sob forte influência da cartolagem – sempre de olho na bilheteria -, o início do campeonato foi antecipado para a semana passada, fiquei aliviado quando vi aquele que naturalmente se colocou como capitão do time entrando em campo sem chapéu.

Maravilha. Se Gino Ferreira consegue agir e pensar sem usar chapéu, já é um grande começo. As regras futebolísticas não recomendam que atacantes, principalmente um centroavante, como parece ser o caso, ocupem a função de capitão do time. De chapéu, então, nem pensar! Imagine, por exemplo, o capitão com aquele chapelão, na boca do gol, num cruzamento de Zézinho da Farmácia.

Metáforas à parte a verdade é que Gino Ferreira surge como uma das grandes promessas desta nova Câmara. Sua firme posição à frente do famoso G-9, deixando Ari Artuzi em cólicas a ponto de quase não poder tomar posse e emparedando grandes articuladores como Ari Rigo e Londres Machado o credencia como liderança natural deste time e, quem sabe, o nome que faltava para fazer frente às futuras demandas do eleitorado depois da carnificina eleitoral provocada pelo maquiavelismo de André Puccinelli nas últimas eleições.

Um dia antes da eleição da nova mesa diretora da Câmara cruzei com ele, por acaso, na porta de um hospital, e o provoquei, repassando a informação de um adversário dele de que o jogo estaria empatado. Sua resposta foi das mais convictas quanto à lealdade do tal G-9, mas, como quem aprendeu rápido as regras do jogo político, passou a nominar gente que tinha tudo para fazer história na política e que deu com os burros n`água porque não resistiu ao canto da sereia, a maioria, ao chegar, justamente, ao Palácio Jaguaribe.

Não importa o que aconteceu nesta primeira sessão extraordinária convocada pelo prefeito Ari Artuzi. Todos apelaram para o discurso padrão, com aquele blablablá de que estão votando com Dourados. Mas que não se iludam Artuzi e sua turma, pois a lógica da política, pela composição que se tem hoje no legislativo, diz que vem chumbo grosso por aí.

E antes que alguém comece a dizer que vereador é tudo igual, que acaba sempre embolsado, literalmente, pelo prefeito, é bom que se atente para o perfil de uns poucos, como Gino Ferreira, e que se volte no tempo, não precisando nem muito esforço de memória, bastando apenas a lembrança recente do que aconteceu com a última legislatura, e de quantos lá continuam.

Gino Ferreira parece levar jeito para a coisa. Já fez bonito como presidente da entidade que representa sua classe – dos produtores rurais – falando grosso e encarando questões polêmicas como as dos sem-terra, dos índios e dos quilombolas, não dando mostras de que vá tremer diante de um Ari Artuzi. Não parece ser daqueles que se pelam de medo com as trombetas do Apocalipse ou que se deixam levar pelas vantagens sempre oferecidas pelo executivo, a maioria delas em forma de sinecuras a apaniguados ou parentes ou, pior, dos já famosos “purfas”, mesmo que em forma de jetons extraordinários, como os primeiros concedidos pelo prefeito à nova Câmara, em pleno período de férias legislativas.

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