20/01/2009 – 00:01
A foto de Barack Obama pintando a parede de um abrigo para sem-teto em Washington, na véspera de sua posse, numa grande jogada de marketing, mostra um Obama “mais negro e mais humilde”, como destacou a mídia internacional. No seu discurso de posse, agora à tarde, ele disse que os Estados Unidos escolheram a esperança sobre o medo, numa referência à gravidade da crise econômica mundial. E, para fechar o dia, dez bailes para comemorar a chegada do primeiro negro à Casa Branca.
O que isso tem a ver com a gente aqui do lado de baixo da linha do Equador? Antes de tudo, como em todo o mundo, esperanças renovadas, com o fim – é o que esperamos – do belicismo da era Bush. A semelhança com o Brasil, por enquanto, apenas o discurso do novo presidente, na citação da opção feita pelos americanos, na questão da esperança. Alguém se lembra de quem disso isso por aqui? Claro, ele, o grande Lula, também no discurso de posse.
Mas e o prefeito Ari Artuzi, o que tem a ver com isso tudo? Ah, pelo jeito o presidente Obama também é chegado num bailão. Se Artuzi foi criticado por Murilo Zauith, durante o último debate na TV, às vésperas da eleição, só porque deixava de comparecer às sessões da Assembleia Legislativa para bailar pela periferia de Dourados, Obama, neste dia histórico, vai dançar em pelo menos dez bailes.
E as semelhanças entre Obama e Artuzi não param por aí. Para quem achou um fiasco a posse de Artuzi, só porque ele se atrapalhou ao ler o juramento de posse, que prestem a atenção ao juramento de Obama, que, certamente, vai estar em todos os telejornais noturnos. Ele também se atrapalhou, tadinho.
Mais interessante nisso tudo, entretanto, seria se Ari Artuzi prestasse bem atenção ao gesto de humildade de Obama pintando a parede dos sem-teto na capital americana. Até aqui, antes e depois da posse, não se viu nenhum um gesto de Artuzi que faça lembrar a origem humilde que o transformou em fenômeno eleitoral. Muito pelo contrário.
