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A má sorte de Dourados com seus federais

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17/02/2013 – 18h07

A denúncia da Procuradoria Geral da República ao Supremo Tribunal Federal para apurar o possível envolvimento dos peemedebistas Geraldo Resende e Marçal Filho no processo da Uragano, além da estranha “coincidência” da altíssima vulnerabilidade dos políticos douradenses traz à tona o que pode começar a ser visto como uma triste sina, principalmente quando se trata dos nossos deputados federais. Da tragédia aérea de Londrina, em 1969, que abreviou a carreira de Weimar Torres, no exercício do primeiro mandato douradense na Câmara Federal à falta daquilo que Marçal Filho gosta de chamar de tara para o cargo, antes deles, de Murilo Zauith.

Despontando como liderança política não apenas de Dourados, mas de todo o velho Mato Grosso, tanto que na avaliação do guru João Leite Schmidt se não tivesse morrido muito provavelmente teria ocupado antes o trono de Pedro, o Pedrossian, Weimar Torres morreu a bordo de um DC-3 quando retornava para Brasília, no mesmo domingo em que se despedira da Dourados que inspirara tantos de seus versos num voo panorâmico de teco-teco na agradável companhia de algumas donzelas vizinhas da Vila em que morava e que depois levaria o nome do sogro, Vlademiro Amaral. Neste vácuo, João Totó Câmara, que interromperia também o primeiro mandato, para voltar a ser prefeito; depois voltando a Brasília, mas na incômoda condição de suplente, cabendo a José Elias Moreira e Ivo Cersósimo o histórico papel de Constituintes, mas apenas Zé Elias tendo a chance de retorno. Feito, aliás, em toda sua plenitude, conseguido depois apenas por Geraldo Resende, já que Marçal por lá chegou como suplente de André Puccinelli, aí se reelegendo, mas tendo de embarcar na canoa furada de Marisa Serrano como candidato a vice-governador; retornando de novo, como suplente de Waldir Neves, para só então, conseguir a reeleição agora ameaçada.

Mandatos interrompidos de Weimar Torres e Totó Câmara, tirante os sempre presentes Saldanha Dérzi, primeiro Rachid, depois Flávio, este abatido pelo câncer ainda deputado, mas sonhando ser senador como o pai, Dourados importou e elegeu Saulo Queiróz. E aí a maior prova desta urucubaca. Uma vez consagrado como um dos políticos brasileiros mais habilidosos dos últimos tempos Saulo deu uma banana para Dourados, nem precisando dos votos daqui para sua única reeleição, infiltrado, já, na alta cúpula congressista, onde se destacou na fundação do PFL, depois do PSDB e, mais recentemente, mesmo sem mandato, do PSD de Gilberto Kassab. Fincou raízes em Brasília, onde atua nos bastidores quando não está cuidando de sua plantação de soja no Maranhão. Antes dele, popularizado nos microfones da Rádio Clube e ganhando musculatura política como secretário municipal quando o patrão Jorge Antônio virou prefeito, Maçao Tadano foi outro dos federais a renegar as origens, mudando-se de mala e cuia para Cuiabá e com a divisão do Estado por lá ficando.

Com todos esses solavancos Dourados perdeu a chance de ter, por exemplo, o seu Hen-riquinho, ou seja, alguém com a perenidade eletiva do potiguar Henrique Alves, recém-eleito presidente da Câmara Federal com onze mandatos consecutivos, em que pese todas as denúncias que justificam o diminutivo do nome. E olha que os ditos celeiros de fartura cantados na bela melodia de Radaméz Gnatalli no hino ao Mato Grosso do Sul bem que poderiam ser atribuídos ao número de deputados mandados por Dourados para Brasília, mas que não esquentaram o banco por lá. Numa única legislatura, a de 1990/94, das oito cadeiras a que o Mato Grosso do Sul tem direito três eram de Dourados – além de Zé Elias, George Takimoto e Waldir Guerra. Empresário bem sucedido, político habilidoso, Guerra tinha tudo para ser um desses nomes de referência da política douradense, mas foi prejudicado pela infelicidade do irmão Alceni, também deputado federal, pelo Paraná, levado de roldão, como ministro, nas lambanças do governo Collor de Melo. Isso, sem contar o petista João Grandão, também reeleito uma vez, mas vítima fatal da picada de uma sanguessuga.

Mas nada pior, para Dourados, no momento histórico em que o STF de Joaquim Barbosa resolve pôr ordem na Casa ao lado, na grande Esplanada, que a angustiante expectativa de perder os dois únicos remanescentes desta saga. Uma triste saga, em que o primeiro morre ao se jogar de um avião pegando fogo, o resto da tropa foi ficando pelo caminho e os dois últimos correndo o risco da equivocada opção pelo caminho que, de tantos retornos, para eles, pode ser fechado para sempre.

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Saulo Queiróz, exercício político com louvor em Brasília

Maçao Tadano, o noticiarista da Rádio Clube que virou federal

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