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A volta de Valdecir ao ergástulo, pelo mais pueril de seus crimes

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18/03/2013 – 10h26

Insuspeito quando o assunto é Valdecir, por tudo que escrevi aqui antes, durante e depois da Uragano, havia decidido não comentar sua condenação a três anos de cadeia pelo mais pueril de seus crimes – o de preconceito racial, por sua proclamação radiofônica de fazer serviço de branco -, mas mudei de ideia, depois do texto O Brasil da chibata, em que J.R. Guzzo, na Veja deste final de semana, trata do mesmo tipo de sandice. Até porque, na mesma proporção em que abundam as águas de março de 2013 o que não deve faltar é mais cadeia ao pobre do Valdecir, uma vez levado a sério o processo em que protagoniza como chefe da quadrilha da Uragano.

Pelo raciocínio de Guzo, antes do ex-prefeito douradense voltar ao xilindró pela ferrenha vontade de só fazer serviço de branco, quem deveria se explicar é a presidente Dilma Rousseff, com quem, aliás, o mesmo Valdecir andava aos abraços e beijos até bem pouco tempo, por sua estranha declaração na Paraíba, há poucos dias, de “fazer os diabos em hora de eleição”. Ou, o chefe dela, Lula da Silva, também chegado do ex-prefeito, não bastasse os mensalões da vida e crimes como os atribuídos a Rosemary Noronha, secretária de ambos em São Paulo, pelo simples fato de ter incluído o fotógrafo de seu Instituto no avião presidencial durante a recente viagem a Caracas para as despedidas a Hugo Chaves. “Privatizar assentos a bordo do Aerodilma para Lula economizar um dinheirinho já é um ato permitido pela doutrina de fazer o diabo?” pergunta Guzzo, que questiona também a ameaça do ministro Gilberto Carvalho de que o bicho iria pegar durante a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez.

De Direito, aqui em casa, quem entende – e muito – é meu caçulinha, o Felipe, mas perdi o sono esta noite pensando numa estratégia a ser sugerida aos advogados de defesa do Valdecir, até por uma questão humanitária, diante de seu delicado estado de saúde. Baseado na “jurisprudência” da encrenca em que se meteu o criminalista Isaquinho de Barros depois de, traído pela força do hábito, referir-se aos meus conterrâneos do Jaguapiru como bugrada, uma vez diante do magistrado que o acusou, ao tomar conhecimento de seu iminente retorno ao ergástulo (o xilindró, no linguajar do promotor João Linhares, que o acusou), Valdecir respiraria aliviado, para cumprimentar seu advogado com um daqueles fortes tapas nas costas: “ah bom, pensei que eu ia voltar pra cadeia”. Funcionaria como um álibi para o simplório ex-caminhoneiro que prometeu não só fazer serviço de branco como trabalhar 24 horas por dia – “inclusive à noite” – para resolver os problemas da cidade.

Mesmo considerado de altíssima periculosidade, pelo menos no entendimento daqueles que o trancafiaram no presídio de segurança máxima de Campo Grande até decidir renunciar à prefeitura, Valdecir não deve voltar à cadeia, propriamente dita, só por ter usado um dito popular considerado preconceituoso. No máximo, um semi-aberto, o que estaria de bom tamanho, já que nem uma cesta básica diz estar em condições de bancar. O bicho vai pegar, como disse o ministro Gilberto Carvalho, é na Uragano. Neste caso, não só o Valdecir, como companheirada que se locupletou com os retornos, inclusive alguns figurões ainda não indiciados (mas dos maiores interessados em 2014) vão precisar fazer o diabo se não quiserem acompanhá-lo, aí, sim, no ergástulo.

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Valdecir, Dilma Rousseff e o padrinho Delcídio do Amaral, só sorrisos, em tempos de bonança

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