Como era início oficial da campanha eleitoral (foto do dia da convenção que sacramentou a chapa Riedel-Barbosinha), o chamego do candidato a governador Eduardo Riedel com seu vice, José Carlos Barbosa, remetia ao ano de 1976, quando, aos 13 anos, Barbosinha subiu pela primeira vez num palanque, discursando em favor do candidato Ediberto Celestino de Oliveira (até ali vereador em Dourados), que, eleito primeiro prefeito de Angélica, município recém-desmembrado da terra de seu Marcelino, cumpriu o compromisso de campanha de fazer daquele jovem entusiasta o primeiro funcionário contratado pela nova prefeitura. Contratado, em 1977, o ainda guri Barbosinha fez um vaticínio, marcando seu nome (José Carlinhos, como era conhecido) e o ano, 1988, com fósforo, no cimento fresco da calçada de um centro social. Nesse ano ele tomaria posse como prefeito da cidade.
A foto que ilustra este texto é das mais emblemáticas e se já não está certamente que estará em breve nos painéis que decoram o saguão de entrada do escritório político de José Carlos Barbosa. O agora vice-governador eleito Barbosinha é uma das mais gratas revelações da política estadual nos últimos tempos. Na Assembleia Legislativa, de onde se despediu nessa quinta-feira, marcou sua passagem em dois mandatos como grande tribuno e bom articulador, depois de testado e aprovado como grande gestor na presidência da Sanesul e secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública.
A aceitação do convite para compor a chapa com Riedel surpreendeu principalmente pela expectativa uma tranquila terceira reeleição para a Assembleia, no momento em que Riedel surgia apenas como mais um azarão – por sua condição de candidato oficial, bancado por um governador desgastado por denúncias de corrupção – concorrendo com candidatos tidos como fortíssimos, como o ex-governador André Puccinelli e o então prefeito de Campo Grande Marquinhos Trad, além da deputada Rose Modesto e de outro azarão, o bolsonarista capitão Contar. Barbosinha não titubeou e aceitou a missão, apostando no seu taco, não apenas pelo peso do currículo, mas por ser também o único candidato a vice-governador de Dourados, em que pese a desdita do maior município do interior seguir indicando apenas candidatos coadjuvantes, como vices governadores e suplentes de senador.
Agora vem o grande desafio de Barbosinha – o de não cair em tentação –, para não repetir dois antecessores de Dourados no cargo, Braz Melo e Murilo Zauith, acusados de conspirar contra os titulares. Braz, mesmo contemplado com a coordenação do embrionário Mercosul, teria até contratado pais-de-santo para fazer “macumba” para o governador Wilson Martins. Zauith, com comportamento exemplar como vice de Puccinelli, foi defenestrado às vésperas do início do pleito desse ano por Azambuja, acusado de, no mínimo, ter feito ouvidos moucos para as conspirações de algumas velhas raposas de sua assessoria.
Pelo sim, pelo não, o simples chamego de Eduardo Riedel para com o vice Barbosinha já é um bom sinal. Escolado, uma vez eleito, Riedel tratou de orientar sua assessoria, para que continuem os afagos, o que já se percebe pelos títulos e textos de todo o material relativo à transição de governo. “Riedel e Barbosinha apresentam o novo organograma do Governo de MS”, diz o título do texto informando a conclusão dos trabalhos de conceituação da nova estrutura de governo. No anúncio do novo secretariado, a mesma coisa: “O governador eleito, Eduardo Riedel, e o vice, e coordenador da equipe de transição, Barbosinha, irão conceder Coletiva de Imprensa com anúncio de nomes de futuros secretários de Estado”.
A esperança dos douradenses é de que Barbosinha siga na linha do sempre discreto Egon Krakhecke, o engenheiro-agrônomo de Dourados que teve atuação protocolar como vice-governador de Zeca do PT, até para não obrigar Eduardo Riedel a repetir Marcelo Miranda Soares, que montou uma vice-governadoria em Dourados, recheada de sinecuras, para que seu vice-governador, o médico George Takimoto, não precisasse nem se descolocar até Campo Grande, para não dar trabalho. Na “pior” das hipóteses, que Riedel repita Wilson Martins, que despachou o “conspirador” Braz Melo de volta à prefeitura de Dourados.
