15/03/2016 – 12h14
Déjà vu. Pode parecer esnobismo de um humilde escrevinhador do Jaguapiru, mas não encontro melhor palavra para definir o quadro da sucessão do prefeito Murilo Zauith. Primeiro, a soberba do peemedebista Braz Melo ao final de seu primeiro e popularíssimo mandato, o que fez a prefeitura cair no colo do “collorido” adversário Humberto Teixeira, que sequer candidato era. Depois, o governador, também pemedebista, André Puccinelli tripudiando sobre o “animal de pelo curto”, como ele, preconceituosamente, chamava Ari Valdecir Artuzi, o que só ajudou a consolidar a condição do espevitado ex-caminhoneiro em fenômeno eleitoral e, com isso, entregando a prefeitura a ele de mão-beijada.
O filme é o mesmo, só com os personagens em papéis diferentes, como nas novelas da Globo. O prefeito – que não é do PMDB – está na moita e dizendo que daí só sai quando a procissão já estiver adiantada rumo à Coronel Ponciano, e assim mesmo só para dar uma mãozinha no andor. O governador, que também não é do PMDB, com sérios problemas para entrar no jogo por falta de companheiros competitivos, tanto que autorizou seu plenipotenciário chefe da Casa Civil Sérgio de Paula sair por aí comprando todo mundo. Mas os potenciais candidatos ao “Oscar” municipal, todos até poucos dias atrás peemedebistas, é que se encarregam da reprise que pode deixar o partido mais quatro anos na fila.
A primeira protagonista a deixar o set de filmagens foi Délia Razuk. Puxadora de votos do PMDB nas duas eleições para a Câmara Municipal e também a mais votada entre os douradenses que disputaram a última eleição para a Assembleia Legislativa, saiu levando cerca de três mil filiados para engrossarem as fileiras do PR de Londres Machado. Depois, o antigamente superstar Marçal Filho. Derrotado pela terceira vez como candidato a deputado federal, sem a entourage dos áureos tempos e sem sua Keliana, jurou nunca mais disputar eleição, mas retornando a tara para esse negócio de ser prefeito ao receber o convite de Azambuja para se aninhar entre os tucaninhos de bico pequeno como Valdenir Machado e demos encrencados e sem votos como Zé Teixeira. Mas nem esquentou o ninho, espantado com o retorno de outro ex-tucano, ninguém mais ninguém menos que Geraldo Resende, até então, como principal estrela peemedebista, potencial concorrente ao mesmo “Oscar”.
Diante de tanta ganância e de tantas trapalhadas, resta saber quem será o novo Humberto Teixeira ou novo Valdecir Artuzi. Até parece que estou vendo o desespero de Braz Melo para arrumar uma carona a Sandro Barbara, com o carro estragado no retorno de São Paulo e precisando chegar a tempo de dar o voto decisivo a Antônio Nogueira na convenção peemedebista que defenestraria Valdenir Machado, mudando o curso da história política de Dourados. Ou o “doido” Artuzi, cansado das humilhações de Puccinelli, abandonando o mesmo PMDB para sair candidato, ganhar a eleição pelo PDT e virar tudo de cabeça para baixo. Elizio Brites? Ênio Ribeiro? Marcelo Mourão? Racib Harb? Vanderlei Carneiro? Com tantos poderosos aturdidos com a voz rouca das ruas, mas mesmo assim insistindo em se engalfinhar, porque só pensam “naquilo”, não é difícil pintar um azarão por aí!
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