13/04/2016 – 13h15
Ao todo, legenda, que apoiava a presidente Dilma Rousseff, tem 47 cadeiras na Câmara; partido acredita que PR e PSD devem ter situação semelhante na votação do próximo domingo.
Após anunciar o desembarque da base aliada depois de a bancada na Câmara fechar posição majoritária a favor do impeachment, a cúpula do PP prevê que somente 6 dos 47 deputados do partido votarão contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff no plenário da Casa. Ou seja, apenas 12,8% da bancada votará a favor do governo no próximo domingo, 17.
O número da cúpula do PP é menor, inclusive, do que os 13 deputados que se posicionaram contra o impeachment da presidente Dilma durante a reunião da bancada do partido na tarde de terça-feira, 12, que acabou culminando com o anúncio de desembarque da sigla. Compareceram ao encontro 44 dos 47 parlamentares. Desses, 31 votaram a favor do impedimento. Os outros faltaram.
Membros da direção do PP preveem que essa tendência deve se repetir nas bancadas do PR e do PSD, partidos que passaram a ser considerados como os principais pilares da base de sustentação da presidente Dilma, após o rompimento do PMDB com o governo. A cúpula do PP não espera, contudo, que as duas legendas anunciem desembarque do governo como fez a sigla.
Pelas contas de um influente dirigente do PP, somente 7 dos 40 deputados do PR na Câmara defenderão o governo no plenário, no domingo, o equivalente a 17,5% da bancada. Já no PSD, dirigentes do PP preveem que somente 5 membros se posicionarão contra o impedimento da petista, o correspondente a 13,9% da bancada do partido na Casa, composta por 36 parlamentares.
As contas da cúpula do PP são próximas aos cálculos de membros desses partidos. No PR, por exemplo, o deputado Maurício Quintella (AL), que deixou a liderança da sigla na Câmara nesta semana para apoiar o impeachment, afirma que de 25 a 30 deputados deverão segui-lo e votar a favor do impedimento de Dilma. A cúpula do PR, contudo, continua contra o afastamento da petista.
No PSD, nenhum cálculo tem sido divulgado. A bancada deve se reunir nesta quarta-feira, para discutir como se portará na votação. Alguns parlamentares defendem que o partido siga o exemplo do PP e feche posição majoritária pró-impeachment. No entanto, o líder na Câmara, Rogério Rosso (DF), que é favorável ao afastamento da petista, tem dito que a tendência é liberar a bancada.
Os números, embora ainda possam mudar até o dia da votação, mostram a dificuldade que o governo terá para barrar o impeachment na Câmara. O governo precisa ter ao menos 171 votos para que o parecer aprovado na comissão especial não seja também aprovado no plenário da Casa. Se aprovado, o processo segue para o Senado, a quem caberá analisar o mérito do pedido.
PSD
Após a debandada da maioria dos deputados do PP, nesta quarta-feira (13) foi a vez do PSD do ministro Gilberto Kassab (Cidades) tomar uma posição majoritariamente pró-impeachment. Por 30 votos a 8, a bancada do partido decidiu orientar no domingo (17) o voto favorável à destituição de Dilma Rousseff.
A decisão complica ainda mais a situação da petista, o que leva deputados a afirmar que a essa altura está ficando incontornável a “onda” favorável ao afastamento da presidente da República.
Kassab esteve na reunião e deixou claro aos deputados, segundo relatos, que iria seguir a decisão que a bancada tomar. Ele saiu sem falar com a imprensa.
Informado do placar da votação pelo líder do partido na Câmara, Rogério Rosso (DF), o ministro pediu que o anúncio oficial fosse dado às 19h para que, segundo a Folha apurou, ele tenha tempo de tomar suas “providências”.
Rosso, que é favorável ao impeachment, disse que vai procurar até o fim do dia anunciar uma posição unificada do PSD.

