Como o próprio nome diz, filho de Humberto Teixeira, um dos prefeitos que mais deixaram saudade entre os douradenses e que morreu de Covid em janeiro de 2021, o ex-vereador Humberto Teixeira Júnior quer se aproveitar do legado do pai e também da condição – que dá sorte para eleger prefeito – de ex-presidente da Câmara, para se lançar candidato à sucessão do prefeito Alan Guedes. Na expectativa de que se confirme o nome – Via Brasil – da nova sigla resultante da fusão PTB-Patriota, Júnior Teixeira já trabalha com seu plano de 25 metas, para aproveitar o número do novo partido, já definido. Independente da aprovação do VB, o que serviria de gancho para o mote “Via Dourados”, Júnior Teixeira disse que, politicamente, seu sonho é aglutinar as forças políticas da região para que Dourados consiga, finalmente emplacar seu governador ou seu senador. Daí, o lamento de que isso só não aconteceu ainda por conta do que considera a maior injustiça já praticada até agora contra a classe política de Dourados – as operações Owari e Uragano. E, ao lembrar toda uma geração que foi varrida do mapa político (além dele, Carlinhos Cantor, Sidlei Alves, José Carlos Cimatti, Marcelo Barros, Zézinho da Farmácia, Aurélio Bonato, Paulo Henrique Bambu e Marcelo Hall), todos favas contadas, à época, como potenciais candidatos a deputado estadual, federal, prefeito e, pela lógica da coisa, o fenômeno eleitoral Ari Artuzi uma miragem quem sabe até para o governo ou o Senado. “Por que você acha que ele foi preso e obrigado a renunciar?”, lembra Júnior, para prometer que, senão eleito, pelo menos vai desagravar a todos durante a campanha eleitoral. “Se duvidarem chamo até os nossos algozes para o debate”, num desafio aos membros do Ministério Público e Polícia Federal, pela ineficiência das provas que transformou o maior escândalo da historia política do MS numa grande pizza.
São Artuzi – Júnior Teixeira não é o primeiro pré-candidato que promete desagravar Owaris e Uraganos. O também ex-presidente da Câmara Archimedes Lemes Soares, o Ferrinho, já corre os bairros da cidade usando bordões do fenomenal ex-prefeito Ari Artuzi. “É com ele que eu vou”, “ajuda eu” são os preferidos. Como se vê, eleito Ferrinho ou Júnior Teixeira, o processo de canonização de Artuzi será uma questão de tempo.
Avante, São Carlinhos! – Acreditando também nessa coisa aí de beatificação o pré-candidato Ferrinho está de namoro com outro expoente uragânico, o ex-vice-prefeito do fenômeno Artuzi, também ex-presidente da Câmara Carlinhos Cantor. É a inversão da lógica de se contar o milagre mas não o nome do santo, até porque, como líder evangélico, Carlinhos não se importa com nomes de santos. Avante, Ferrinho!, tem dito por onde anda o presidente do partido cujo nome é um chamamento aos ainda incrédulos.
Saia Justa – Discreto, comedido nas palavras, muito diferente do pai, o vereador Maurício Lemes Soares evita falar em sucessão municipal. Sua torcida é para que haja um grande consenso, para que ele não precise escolher para quem trabalhar. Da base de sustentação do prefeito Alan Guedes, que conta com seu apoio no projeto de reeleição, Maurício ainda teria que optar entre apoiar o pai, Ferrinho, ou o sogro Luiz Roberto Martins, o Beto Catalão, todo assanhado com a possibilidade de ser o tertius no grupo do ex-vice governador Murilo Zauith. Lembrando que Beto era o preferido de Zauith como candidato a vice-governador de Rose Modesto, nas eleições passada.
Aposta – Nas hostes petistas o problema é vencer o sectarismo que sempre tem levado o partido a breca em Dourados. Com o nome do professor Tiago Botelho (derrotado para o Senado mesmo se apresentando como “amigo do Lula”) já colocado, mas sustentado apenas pela suas postagens ingênuas, algumas até polêmicas, nas mídias sociais, as diversas correntes que aprisionam os petistas insistem com o decano vereador Elias Ishy. Enquanto isso, a também professora e líder sindical Gleice Jane surfa na onda da popularidade pelo bom começo deputada estadual. Só não vê quem não quer que, por ser o fato novo da política local, ela seria a bola da vez.
Caindo a ficha – Talvez percebendo que seguir na pista de Geraldo Resende como o “pai de todas as obras” e só baixar o porrete em Alan Guedes não cola mais e, repensando sua pré-candidatura a prefeita, a sempre serelepe deputada Lia Nogueira parece que resolveu trocar a vida noturna cabalando votos em point’s da periferia da cidade por algo mais simpático ao eleitorado. Para tanto, está pulando da cama mais cedo para perder uns quilinhos no Colégio Imaculada Conceição. Com isso, mata não dois, mas três coelhos com uma cacetada só, porque além de mais disposição para a longa jornada de 2024, faz uma média com o colega federal que tenta imitar na “trazeção” de obras e recursos, já que foi Geraldo, claro, quem trouxe também os recursos para a implantação da famosa pista de caminhadas. Pista, aliás, onde Murilo Zauith é habitué. É só combinarem os horários para que Lia Nogueira, boa de lábia que é, tire da cabeça do ex-vice governador essa ideia de apoiar seu colega de microfones Marçal Filho.
Mistério – Num claro sinal de que não existe, ainda, o tão desejado consenso, pelo menos dentro do espectro tucano, para uma candidatura a prefeito, uma visita na calada da noite a Dourados, recentemente, deixou muita gente com umas pulgas atrás das orelhas. O chefão tucano Reinaldo Azambuja e o fiel escudeiro Sérgio de Paula teriam vindo sondar um empresário, do ramo de contabilidade, para a empreitada. Adiantando, apenas, que o sondado não é o presidente da Aced, Paulo Campione.
