19/04/2016 – 17h42
Ex-presidente participou, em SP, de reunião em que partido busca estratégias depois do impeachment na Câmara
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o caminho para o PT é “deslegitimar” o vice-presidente Michel Temer. Lula participou da reunião do diretório nacional do partido, na sede da legenda, em São Paulo. No encontro, os petistas discutiram estratégias a serem adotadas pela legenda após a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.
Segundo pessoas que acompanharam a reunião, o ex-presidente insistiu que o caminho do partido, agora, é “deslegitimar o Temer” e insistir na tese de que ele patrocinou um golpe contra Dilma. A reunião foi interrompida para o almoço e retomada à tarde. Lula almoçou ao lado do presidente do PT, Rui Falcão, no interior da sede do partido, e foi embora logo depois.
Após o encontro, Rui Falcão seguiu o discurso proposto por Lula e afirmou que o PT não irá reconhecer um eventual governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer e criticou a possibilidade de mudanças feitas pelo PMDB na área social e econômica.
De acordo com dirigentes petistas, Lula defende ainda que o PT não devera a adotar a bandeira de lutar por novas eleições no momento. Na avaliação do ex-presidente, uma iniciativa desse tipo teria que partir de Dilma e ele afirmou não ter coragem de abordar o tema com ela.
— Ele disse para não nos apegarmos a isso (de novas eleições) por enquanto — disse um dirigente petista, na pausa do almoço.
Ainda segundo um integrante da direção da legenda, Lula demonstrou desânimo e por duas vezes repetiu a frase:
Minha cabeça não processou ainda (o resultado da votação do impeachment na Câmara.
Lula também não apontou aos petistas ter esperança de reverter o quadro no Senado porque a composição das forças políticas é parecida com a da Câmara. O ex-presidente disse na reunião que a única diferença entre as duas casas legislativas é que o Senado é presidido por Renan Calheiros (PMDB-AL), que já deu declarações públicas de que “impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse após a reunião que a legenda não vai reconhecer o governo de Michel Temer (PMDB). O dirigente criticou o programa que o peemedebista pretende implantar caso assuma o poder com o afastamento da presidente Dilma Rousseff.
O PT não vai permitir que ele ponha em prática o seu programa. Não podemos permitir que depois de anos de avanço, venha um cara sem voto retirar direitos que foram conquistados com muita luta. É muito mais do que oposição parlamentar só. É dizer para a população que com um governo ilegítimo não tem paz, não tem tranquilidade, tem luta. E deslegitimação permanente aqui e no exterior.
Apesar de já apontar a estratégia para um governo Temer, o presidente do PT disse acreditar que será possível reverter o quadro no Senado. Para isso, a grande aposta é nas mobilizações de movimentos sociais para a realização de manifestações de rua.
A reunião, de acordo com relatos de participantes, revelou dificuldade dos petistas em apontar um caminho. Alguns dirigentes que falaram no encontro defenderam a doação de uma linha radical de greves para se contrapor ao impeachment.
Na parte da tarde, a reunião teve a participação de dirigentes de movimentos sociais. Alinhado com o Lula, o líder Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, reconheceu, na saída, que a chance de reverter o impeachment no Senado é pequena.
Acho que a várzea que o país assistiu na Câmara no domingo, lamentavelmente, com um pouquinho mais de perfume e requinte, deve se reproduzida no Senado. Mas o nível político, será o mesmo. A expectativa para barrar o golpe não vai ser no carpete parlamentar nem da Câmara nem do Senado, vai ser no asfalto das ruas.

