Na abertura da reunião dos chanceleres do G20, o ministro das Relações Internacionais, Mauro Vieira, disse que o Brasil está preocupado com a situação internacional em relação à paz e segurança e que o país não aceita um mundo que resolve diferenças com uso da força militar. Segundo ele, o G20 pode desempenhar um papel na redução da tensão internacional.
– Na nossa visão, o G20 pode e deve desempenhar um papel fundamental para a redução das tensões internacionais, bem como no avanço da agência da agenda de desenvolvimento sustentável.
Ele disse que a posição do Brasil sobre a situação na Ucrânia e na Palestina são bem conhecidas e foram apresentadas publicamente nos fóruns apropriados, como o conselho de segurança da ONU e assembleia geral da ONU.
– As instituições multilaterais, contudo, não estão devidamente equipadas para lidar com os desafios atuais, como demonstrado pela inaceitável paralisia do conselho de segurança em relação aos conflitos em curso. Esse estado de inação implica diretamente em perdas de vidas inocentes. O Brasil não aceita um mundo em que as diferenças são resolvidas pelo uso da força militar. Uma parcela muito significativa do mundo fez uma opção pela paz e não aceita ser envolvida em conflitos impulsionados como nações estrangeiras.
Segundo ele, não é razoável que o mundo ultrapasse, e muito, a marca de 2 trilhões de dólares em gastos militares a cada ano. E citou que os programas de ajuda de assistência oficial ao desenvolvimento permanecem estagnados, em torno de 60 bilhões por ano, menos de 3% dos gastos militares.
– Os desembolsos para combater mudanças climáticas sobre o amparo do acordo de Paris mal conseguem alcançar os compromissos de 100 bilhões de dólares por ano, portanto, menos de 5% dos gastos militares.
Ana Carolina Diniz/O Globo
