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terça-feira, fevereiro 3, 2026

Azambuja tenta conquistar bolsonaristas com conversa de malandro pra delegado

Coronel maracajusense tenta surfar na onda de Nicolas Ferreira, mas entrega apenas frases de autoajuda política e nenhuma devoção ao mito encarcerado

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Diferente do ex-atleta de passo curto Rodolfo Nogueira, que voltou da fatídica caminhada de seu colega Nicolas Ferreira com os pés em petição de miséria, cheio de bolhas, mas ainda assim teve tempo e disposição para posar sorridente no lançamento das obras do Teatro Municipal (trabalho hercúleo só possível graças a uma emenda parlamentar sua), não se tem notícia de que o neófito bolsonarista Reinaldo Azambuja tenha sequer esbarrado na formação. Mas agora, como acontece com todo político em fase de metamorfose eleitoral, lá está o coronel maracajusense, todo-todo, brotando nas redes sociais com um entusiasmo cuidadosamente fabricado, tentando pegar carona no movimento do deputado mineiro, como quem descobre de repente que existe engajamento, algoritmo e voto de radical.

Numa dessas falas plastificadas, meticulosamente produzidas em laboratório por algum marqueteiro que ainda acredita em PowerPoint e frases motivacionais de para-choque de caminhão, Azambuja não diz absolutamente nada do que os bolsonaristas gostariam de ouvir — e faz isso com uma convicção quase comovente. O óbvio ululante, para sermos bondosos com ele e com o profissional responsável por tamanha colcha de retalhos retóricos.

Vejam só: “A caminhada do Nicolas não foi só um ato político, foi um sinal, um lembrete de que ninguém vence sozinho”, começou dizendo o coronel como se estivesse narrando a chegada dos magos ao presépio. Na prática, foi apenas um jovem deputado tentando garantir que não será esquecido antes da próxima eleição — e sonhando, este sim, ser um dia o sucessor do mito encarcerado.

“A direita avança quando entende que o projeto Brasil é maior que as opiniões pessoais e que o futuro não pode ser travado por disputas internas”. A direita avança? Sim, avança. Avança em direção no inquérito, no processo da trama golpista e, com sorte, à Papuda — onde talvez finalmente encontre alguma coerência. “Projeto Brasil?” Que projeto Brasil, meu coronel? A repetição da catástrofe que foi o governo do capitão? Ou a tentativa de transformar nostalgia autoritária em plataforma eleitoral reciclada?

“Precisamos olhar para o lado e perceber que o que nos une é muito mais forte do que aquilo que nos divide”. Essa pérola poderia facilmente estar estampada num calendário de consultório odontológico. É o tipo de coisa que não compromete, não diz nada, mas faz bonito no Instagram, especialmente com música épica ao fundo.

“Não é sobre nomes, é sobre um propósito. Não é sobre opinião pessoal, é sobre responsabilidade histórica”. Aqui, a grande derrapada. Um bolsonarista de verdade não fala em propósito sem mencionar o sobrenome sagrado. Azambuja diz “não é sobre nomes”, mas parece esquecer que, no bolsonarismo raiz, é sempre sobre um nome — ou melhor, sobre um sobrenome. Tarcísio, Zuma, Ratinho, seja lá quem for… desde que carregue o DNA ou a benção dos Bolsonaro. Derrapada dupla porque, em momento algum, o futuro pretenso senador cita o nome do grande líder. Nem uma palavra sobre a “injustiça histórica” contra o “querido, amado e perfumado capitão”. Nada. E é exatamente isso que o bolsonarista raiz gostaria de ouvir de um recém-chegado: fervor, indignação e alguma espuma pela boca.

Mas tem mais! “Quem quer um Brasil diferente não ergue muros, ajuda a construir a estrada. União não é concordar com tudo. União é caminhar juntos, para vencer”. Que coisa linda. Quase dá pra ouvir o marqueteiro enxugando uma lágrima e abrindo o Canva para montar o post. Mas onde está a fala contundente? Onde está o grito de guerra? Cadê o “fora Lula”, cadê o “impedir o L-4”? Para quem não sabe, L-4 é essa cristalina e cada vez mais provável reeleição de Lula. Será que Azambuja já está enxergando melhor que todo mundo? Será que o coronel já está pensando não no mito, mas na reeleição de Riedel — e, principalmente, num segundo governo em que a sustentação federal é imprescindível, especialmente para quem pretende retornar ao posto daqui a seis anos?

Talvez seja isso. Talvez o coronel esteja apenas ensaiando aquilo que todo bolsonarista de ocasião ensaia em silêncio: a conversão discreta ao pragmatismo governista, aquele que se pratica longe das redes e bem perto das verbas federais. Porque, no fim das contas, para certos políticos, “união” sempre significou a mesma coisa: estar junto de quem paga a conta.

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