Quatro anos depois de desaparecer do mapa da aviação comercial brasileira, Dourados volta a discutir o futuro de seu aeroporto não apenas como equipamento público, mas como infraestrutura estratégica para o desenvolvimento regional. A decisão da Prefeitura de autorizar a inclusão do Aeroporto Regional Francisco de Matos Pereira no programa federal de concessões aeroportuárias abre uma nova etapa na história do terminal, agora com a perspectiva de investimentos da iniciativa privada.
A autorização dada pelo prefeito Marçal Filho permite que o Ministério de Portos e Aeroportos inclua o aeroporto douradense no próximo bloco de concessões federais. A medida ocorre pouco tempo depois da retomada dos voos comerciais, encerrando um período de quatro anos em que o segundo maior município de Mato Grosso do Sul permaneceu fora das rotas da aviação regular.
Embora o município destaque que a concessão permitirá uma economia anual superior a R$ 6 milhões em custos de manutenção e operação do aeroporto, o aspecto mais relevante da decisão está longe de ser contábil. A concessão representa, sobretudo, a possibilidade de transformar o terminal num ativo logístico capaz de acompanhar o ritmo de crescimento econômico da região sul do Estado.
Dourados ocupa posição estratégica no mapa produtivo de Mato Grosso do Sul. A cidade é polo regional de serviços, comércio e agronegócio, além de funcionar como ponto de ligação econômica para municípios da fronteira com o Paraguai. Nesse contexto, a plena operação de um aeroporto integrado à malha aérea nacional deixa de ser apenas uma conveniência administrativa e passa a ser fator relevante para decisões de investimento.
Empresários, investidores e operadores logísticos costumam observar com atenção a infraestrutura de transporte disponível em cada região. Rodovias, ferrovias e aeroportos formam o tripé básico que determina a competitividade econômica de um território. Sem esses elementos, mesmo regiões com forte produção agrícola ou industrial enfrentam dificuldades para ampliar sua inserção nos mercados.
A inclusão do aeroporto no programa federal de concessões sinaliza justamente a intenção de integrar o terminal douradense a um modelo de gestão voltado à eficiência operacional e à ampliação da capacidade de investimentos. Experiências recentes em outros aeroportos concedidos à iniciativa privada mostram que esse modelo costuma resultar em modernização da infraestrutura, ampliação da oferta de serviços e maior integração com o sistema nacional de transporte aéreo.
No caso de Dourados, essa perspectiva ganha peso adicional pela posição geográfica do município. Situado a pouco mais de 100 quilômetros da fronteira com o Paraguai e no coração de uma das regiões agrícolas mais produtivas do país, a o município reúne condições para consolidar-se como hub regional de negócios, eventos e circulação de pessoas.
A retomada dos voos comerciais já representou um primeiro passo nesse processo. A concessão do aeroporto pode ser o movimento seguinte, capaz de atrair investimentos e consolidar o terminal como peça relevante da infraestrutura regional.
Em outras palavras, a economia anual anunciada pela prefeitura é apenas a parte mais visível de uma decisão que tem implicações muito mais amplas. Mais do que reduzir despesas administrativas, a concessão coloca Dourados numa posição diferente no mapa da logística nacional.
E, numa economia cada vez mais dependente de mobilidade e conectividade, estar no mapa costuma ser tão importante quanto crescer dentro dele.
