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sexta-feira, maio 8, 2026

Tristes notícias

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De retorno ao lar, longe do país e já com saudades da família e dos amigos, procuro manter-me em sintonia com as informações brasileiras. Vejo e leio, todas as manhãs, o que está acontecendo pelas terras brasilis.

É sempre um misto de tristeza, emoção e indignação. Outro dia, vi na televisão uma reportagem sobre a inteligência dos chineses em importantes inovações na robótica, com imagens impressionantes de máquinas que dançam como humanos — e com os humanos —, resultado de um enorme investimento para alcançar esse nível de excelência. E o Brasil, o que está fazendo para chegar a patamares importantes da tecnologia?

Para acabar com qualquer entusiasmo, a notícia seguinte tratava de novos casos de corrupção no porto do Rio de Janeiro, envolvendo importações e tráfico de drogas.

A droga, como sabemos, está no mundo inteiro, levando dinheiro para poucos, minando economias, Estados e instituições. As balas perdidas matam inocentes; outras, os concorrentes das facções. O Estado perde espaço, enquanto o povo paga o preço da estrutura necessária para combater esse problema. A mim parece que não estamos caminhando pelo caminho ideal. Até agora, as drogas e o número de consumidores só aumentam, na mesma proporção que a corrupção.

Outra notícia triste que me chegou durante a semana foi a de que a cidade de Osasco — cidade da periferia de São Paulo para onde fui estudar no final de 1974 —, cuja biblioteca havia sido fechada há alguns anos para uma reforma necessária e ainda não reaberta, estava descartando seu acervo, jogando livros em caçambas para destruição. Um choque!

Frequentei aquela biblioteca logo na minha chegada. Nela passei horas e horas preparando-me para o vestibular, lendo e emprestando livros.

Aberta à comunidade, a biblioteca tinha um espaço dedicado aos autores locais, que muito contam da história da cidade — eu entre eles. Mais do que isso: os jornais para os quais trabalhei, A Região e O Grande Osasco, fechados há algum tempo e cujos acervos foram doados à biblioteca, teriam desaparecido também? Espero que tenham sobrevivido. É toda a história da cidade que padece.

Um crime! Cometido por pessoas responsáveis — ou que deveriam ser — pelo patrimônio de uma cidade. Gente sem compromisso com a história… inculta!

O mundo cultural da cidade — e eu também — está pasmo e denunciando. “Havia fungos”, declarou o poder municipal. Mas, fechada há tanto tempo, tiveram tempo suficiente para fazer o necessário para que eles não aparecessem. Em todo caso, as imagens dos livros sendo jogados nas caçambas, mostradas pela televisão, impressionam profundamente.

  • Mazé Torquato Chotil – Jornalista e autora. Doutora (Paris VIII) e pós-doutora (EHESS), nasceu em Glória de Dourados-MS, morou em Osasco-SP antes de chegar em Paris em 1985. Agora vive entre Paris, São Paulo e o Mato Grosso do Sul. Tem 14 livros publicados (cinco em francês). Fazem parte deles: Na sombra do ipê e No Crepúsculo da vida (Patuá); Lembranças do sítio / Mon enfance dans le Mato Grosso; Lembranças da vila; Nascentes vivas para os povos Guarani, Kaiowá e Terenas; Maria d’Apparecida negroluminosa voz; e Na rota de traficantes de obras de arte.
    Em Paris, trabalha na divulgação da cultura brasileira, sobretudo a literária. Foi editora da 00h00 (catálogo lusófono) e é fundadora da UEELP – União Européia de escritores de língua Portuguesa. Escreveu – e escreve – para a imprensa brasileira e sites europeus.
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