18/10/2017 – 06h52
BRASÍLIA — Após a maioria do Senado decidir que Aécio Neves poderá retomar o mandato, contrariando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), interlocutores do Palácio do Planalto avaliaram que a vitória do tucano dará força ao presidente Michel Temer no plenário da Câmara, onde enfrentará a denúncia por obstrução de Justiça e organização criminosa. Segundo essas avaliações, o placar pró-Aécio mostra que a ala do PSDB que ele controla ainda é forte, e que o apoio do PMDB para que o senador voltasse ao mandato, muito evidente nos discursos feitos no Senado, “será retribuído”.
Aliados de Temer acreditam até mesmo que aumentará o número de apoios a Temer na bancada do PSDB da Câmara. Na votação da primeira denúncia, o partido ficou dividido, e um gesto incomodou o Planalto, quando o deputado Ricardo Tripoli (SP), líder do PSDB e aliado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, orientou a bancada a votar contra o presidente.
Aliados de Temer acreditam até mesmo que aumentará o número de apoios a Temer na bancada do PSDB da Câmara. Na votação da primeira denúncia, o partido ficou dividido, e um gesto incomodou o Planalto, quando o deputado Ricardo Tripoli (SP), líder do PSDB e aliado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, orientou a bancada a votar contra o presidente. Dias depois, a Polícia Federal flagrou Frederico Pacheco, primo do senador, recebendo R$ 500 mil de um dos executivos da empresa. Frederico chegou a ser preso, junto com a irmã de Aécio, Andrea Neves, na Operação Patmos.
Segundo a Procuradoria-Geral da República, o pagamento foi feito em espécie, em quatro parcelas de R$ 500 mil cada, entre 5 de abril e 3 de maio, por meio de Frederico e Mendherson Souza Lima, assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG)
De acordo com a denúncia, Aécio também tentou atrapalhar as investigações da Operação Lava-Jato, na medida em que empreendeu esforços para interferir na distribuição dos inquéritos da investigação no Departamento de Policia Federal, pressionou para a substituição de Osmar Serraglio por Torquato Jardim no Ministério da Justiça e articulou a anistia do crime de caixa dois, que acabou não sendo aprovado, e a aprovação de projeto que trata do abuso de autoridade, como forma de constranger Judiciário e Ministério Público.

