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quarta-feira, julho 1, 2026

Começar de novo, agora no jornalismo virtual

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16/11/2012 as 16:23

Passei o feriadão matutando em como e quando dar a boa-nova. Combinei com o “Zica”-mor do jornalismo douradense que esperaria sua última edição impressa, que deve circular em meados de dezembro, quando vencem os últimos contratos publicitários. Mas na manhã desta sexta-feira com jeito de sábado, conforme escreveu no Facebook o poeta blogueiro Maranhão Viegas, ouvindo Simone Começar de novo, a bela letra de Ivan Lins, não tive como não associar a canção aos tantos revezes do mais querido hebdomadário douradense – a folha – que, assim, minúscula só no título, sempre ostentou, de forma maiúscula, o nome da terra de seu Marcelino. É José Henrique Marques, mais antenado (o leitor só vai saber por que na nova versão online do jornal) que nunca, não se permitindo contaminar pelo atavismo dos relutantes das bobinas e das rotativas para mergulhar no metafísico mundo do jornalismo virtual.

Pelo fato de ser o jornal que mais transcreve os textos aqui do blog me vejo introduzindo começar de novo e contar comigo, daí pra frente ficando por conta do otimismo do parceiro e companheiro que herdou a pertinácia de Theodorico Luiz Viegas nesta mania de querer fazer jornalismo por esses tão mesquinhos e ao mesmo tempo perigosos rincões quase fronteiriços. Como dizia minha tia Lazinha, espia só: vai valer a pena ter amanhecido; ter me rebelado, ter me debatido; ter me machucado, ter sobrevivido; ter virado a mesa, ter me conhecido; ter virado o barco, ter me socorrido. Não é segredo que Zé Henrique é um dos jornalistas que mais se rebelam e mais se debatem, mas, aos recém-chegados e menos informados é preciso lembrar e fazer justiça com quem se machucou para sobreviver por ter virado a mesa: Theodorico Viegas. O grande repórter fundador da barca, que pode ter virado, mas não chegando ao fundo do mar, como parece ser o inevitável destino de alguns pretensos Titanics que insistem em navegar por águas turvas, ou marrons, infestadas por piranhas atraídas pela catinga jabazeira.

Theodorico Viegas foi o único jornalista douradense a ir parar atrás das grades. Não por calúnia, difamação ou alguma conduta antiética, mas pela coragem de peitar o Governo em pleno regime ditatorial, saindo no braço com um major-PM no cargo de delegado de polícia que insistia em lhe dar aulas sobre liberdade de expressão com a ponta da baioneta. Por este tipo de postura, sua folha sempre capengou, mas sem jamais deixar de fazer, pelo menos, o bê-á-bá do jornalismo.

Bem possível que agora, depois de acordar para esta nova realidade do jornalismo terráqueo, Zé Henrique precise continuar interpretando Ivan Lins, invocando o espírito de Theodorico, mesmo sem as tuas garras, sempre tão seguras; sem o teu fantasma, sem tua moldura; sem tuas escoras, sem o teu domínio; sem tuas esporas, sem o teu fascínio, mas, também sabendo, e, modéstia à parte, que começar de novo é só contar comigo. Se é online, estamos aí. Desde que, evidentemente, não seja jornalismo chapa-branca, requentado ou copiado.

José Henrique Marques, diretor da Folha de Dourados. Foto: Douradosnews.

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