25/11/2012 as 11:06
Em novembro de 2009, no final do dia da mais concorrida das eleições da OAB em Dourados, enquanto os cabos eleitorais de Idiran Catelan de Matos já comemoravam, com muita carne assada e cerveja gelada, a vitória da chapa situacionista, ali mesmo, no canteiro central, em frente ao prédio da 4ª. Subseção, o Conselheiro Federal Afeife Mohamad Hajj coordenava a cata aos retardatários, com os vários veículos colocados à disposição da candidatura César Câmara, ele mesmo recepcionando os eleitores, mas apenas com tereré e cafezinho, numa barraquinha improvisada e fazendo questão de acompanhá-los até a boca da urna. Seu candidato venceu com um voto de frente. Domingo passado, antevéspera de mais uma eleição, flagrei Afeife sorrateiramente, bem de manhãzinha, batendo à porta de Pinda Azambuja. Desta vez sua candidata, Mara Piccineli, disputando com o novo fenômeno da advocacia douradense, Felipe Azuma, não tinha nenhuma chance, mas o “Dr. OAB”, como já é conhecido, pendurado na chapa do douradense Julio César Rodrigues, seria eleito, pela quarta vez, Conselheiro Federal. Feito inédito de um douradense no Mato Grosso do Sul, depois do campo-grandense Carmelindo Rezende, por duas vezes eleito para o mesmo cargo.
Não que Afeife não goste de cerveja. Gosta, e é bom de copo. Não nas altas rodas dos grandes jurisconsultos, mas num barzinho lá na última rua do bairro Cachoeirinha, onde tem lugar cativo numa mesa de truco com César Lutti, Volmer Campagnholi, João Botega e João Derli, ou depois das peladas que promove na Chácara dos Caiuás, onde joga num time em que é o dono da bola.
Como se vê, para ser Conselheiro Federal da tão respeitada OAB não é preciso tantos rapapés, e o maior exemplo disso foi dado ao Brasil, também esta semana, na posse sem cerimônia de Joaquim Barbosa – o negro, aquele, por meio de quem Lula da Silva tentou fazer média com as minorias – na presidência do Supremo Tribunal Federal. Mas na surdina, em 32 anos de advocacia, Afeife dá um duro danado. Daí a liderança, principalmente, entre seus afilhados, como chama a nova geração de bacharéis, principalmente os que se beneficiaram por cursos por ele autorizados como Conselheiro, como os da UEMS e da UFGD.
Bom de articulação e de voto na OAB, entidade da qual se orgulha por, além de ter sido presidente, também o primeiro presidente de seu Conselho, Afeife não tem a mesma performance na política partidária. O que, ele não fala, mas dá a entender, se não deixa de ser motivo de orgulho, pelo menos, é de alívio, nestes tempos de tantas bandalheiras. Pelos barracos que armou no PDT, partido pelo qual tentou ser prefeito e deputado, era chamado por Harrison de Figueiredo, expoente dos brizolistas, de “turquinho encrenqueiro”. Mas ele não desiste também da política. Num andar inteiro da Galeria Penha, edifício onde advoga com os irmãos e daqui uns dias com os filhos, entre montanhas de livros jurídicos, diplomas e troféus, um maço de adesivos do PSD, o partido reinventado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab, que não é de esquerda, nem direita muito menos centro, que acaba de eleger o locutor de rodeios Marcelo Mourão seu primeiro representante na Câmara Municipal, mas que Afeife, não menos orgulhoso, faz questão de lembrar que é o mesmo PSD de JK.
Por tudo isso, na mesma semana em que foi eleito pela quarta vez Conselheiro Federal da OAB, o “turquinho encrenqueiro” também foi laureado com mais um troféu, desta vez na Assembleia Legislativa do Estado, como um dos mais ilustres representantes da comunidade libanesa no Mato Grosso do Sul.

