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José Elias Moreira para ministro de Dilma

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28/11/2012 as 16:20

Mais ou menos na metade de seu esticado mandato de seis anos que acabou encolhido para cinco e pouco por causa da desincompatibilização para a disputa do governo do Estado, quando já começava a calar a boca dos adversários pelo grande canteiro de obras em que estava transformando a cidade, o prefeito José Elias Moreira começou a desconfiar da gatunagem. Como não sabia o que fazer com três adolescentes indicados por companheiros da velha UDN, chamou os piás para uma conversa reservada e, providenciada uma engenhoca composta apenas de um pedaço de caibro atravessado por um prego sobrando quatro centímetros os “nomeou” fiscais da prefeitura. A missão, conferir a espessura das três frentes de asfalto executadas na parte alta da cidade, cada uma por uma empreiteira diferente. Se o prego não cravasse totalmente na massa asfáltica logo após a compactação é porque alguma coisa estava errada. Não demorou, depois de um dia intenso atrás de recursos em Brasília, Zé Elias recebeu um recado para entrar em contato com um de seus jovens fiscais. Do outro lado da linha o jovem desesperado: “prefeito, estão nos roubando!”. O prego havia entrado só dois centímetros no asfalto.

Fazendo uma conexão dessa historinha com duas matérias a respeito dá má gestão do dinheiro público, embora temas relacionados, editadas em blocos separados do Jornal Nacional da última segunda-feira, pensei em sugerir um lobby da bancada federal do Mato Grosso do Sul para a indicação de Zé Elias, depois duas vezes deputado federal, para um Ministério da presidente Dilma Rousseff. Para o da Integração Nacional, por exemplo, não só pelo fato de já ter sido ocupado por outro mato-grossense do Sul (o falecido senador Ramez Tebet), mas, principalmente, porque é ali que está um dos grandes sumidouros do suado imposto dos trabalhadores.

Como bem mostrou a reportagem de Mônica Silveira, do JN, a transposição do rio São Francisco, emblemática obra idealizada, na verdade, por Ciro Gomes quando ministro da mesma Integração Nacional e prometida por Lula da Silva para 2012, que já se vai, não chegou nem na metade, mas, como continuamos em pleno regime petista-mensaleiro, já dobrou de preço, pulando dos 4,5 bilhões incialmente previstos para 8,2 bilhões. Pior, e ironicamente, quando o Nordeste brasileiro sofre com a maior seca dos últimos 30 anos, tendo que ser refeita em muitos trechos, o que, na opinião de um técnico com arrastado sotaque nordestino, deve elevar ainda mais esses já astronômicos valores.

Na outra matéria, desses rankings que só nos envergonham, o Brasil, pela terceira vez seguida, sendo citado na última colocação como País que dá menos retorno dos impostos que cobra. E olha que o brasileiro paga mais imposto que países ricos como Japão, Suíça e Canadá. Em “compensação” temos o dobro de ministérios que os Estados Unidos, país com um PIB oito vezes maior que o nosso.

Como ministro (será que, exceção a Fábio Trad, deputado na acepção da palavra, os demais parlamentares topariam um negócio desses?), além da antológica fórmula de conferir como sai o dinheiro dos famigerados retornos, o filho do Quinzito certamente sugeriria à conterrânea presidente a adaptação da velha sentença aos, pra dizer o mínimo, insatisfeitos e incompetentes: a porta, ou a rampa, do Eixo Monumental é a serventia do Palácio do Planalto.

Na parte que lhe toca na história, Zé Elias não titubeou. Mesmo tendo que cortar a própria carne, pôs no olho da rua o secretário que estava de três cantos com a empreiteira fazendo asfalto casca de ovo. E olha que não era um secretário qualquer.

Ministro Zé Elias?

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