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quinta-feira, julho 2, 2026

Para Marisa Serrano o céu não é o limite

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21/04/2011 – 21:04

Foto/Senado

Que diabos explica trocar o Senado pelo Tribunal de Contas?

Muito mais pelas mordomias e pelo status de seus 81 membros do que pelo convexo de sua cúpula emborcada projetada por Oscar Niemeyer, cujo interior é palco do que de mais surrealista existe na política brasileira, o Senado da República é conhecido, e por isso tão desejado, pela classe política, como o céu. Tanto que depois de chegarem ao maior posto – a Presidência da República – que qualquer político que se preze almeja e é ali que alguns deles se refugiam para acabar seus dias, sempre se cogitando, inclusive, a criação da figura do senador vitalício, uma forma de manter vivos ex-presidentes (atuais senadores) como José Sarney, Fernando Collor de Melo e Itamar Franco, para os quais a política é como oxigênio. Pois não é que coube à senadora tucana do Mato Grosso do Sul Marisa Serrano inverter esta lógica?

A princípio não dei muita bola para esta história de Marisa trocar o Senado por um empreguinho (comparando-se ao céu) no Tribunal de Contas do Estado, até porque, durante o velório do ex-senador Lúdio Coelho, o governador André Puccinelli chegou a dizer que a senadora teria apenas o voto do primo, o deputado Márcio Monteiro, na Assembleia Legislativa, de onde sai a autorização para esse tipo de indicação. Mas, por coincidência, esta semana recebi uma dessas mensagens que diariamente entopem a caixa postal do correio eletrônico e como era do mais apaixonado dos seguidores de Marisa, o arquiteto Cesar Lutti, acabei abrindo, deparando-me com uma palestra de um maluco aventando sobre a possibilidade da existência, vejam só, de mais de um Universo, o que implica dizer que também pode existir outros céus.

Ainda bem, pois, do jeito que as coisas andam daqui a pouquinho cairia outro processo na Justiça contra o Blog, pois eu já começava desconfiar que a indicação da Senadora Marisa Serrano para a vaga decorrente da morte da ex-deputada Celina Jallad pudesse ter alguma coisa a ver com as denúncias da Operação Uragano que respingaram na Assembleia Legislativa provocando o fechamento das generosas torneiras para os até então mais bem pagos deputados estaduais do Brasil. O que seria uma grande injustiça, já que o principal interessado na vaga de Marisa, seu suplente Antonio Russo, é um sujeito aparentemente com enormes dificuldades financeiras, com dívidas calculadas em cerca de R$ 60 milhões aos colegas pecuaristas que abasteciam seus frigoríficos. A menos que o tal do Russo aí esteja querendo ir para o Senado para ficar mais próximo do BNDES, o banco de onde saíram os recursos para seus investimentos nos frigoríficos recentemente fechados no Estado. Nada que um pin verde e amarelo na lapela não resolva. Aí, são outros quinhentos.

Nestas horas, pois, só mesmo apelando para Willian Shakespeare, para quem entre o céu e a terra há muito mais coisas do que supõe nossa vã filosofia.

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