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A misteriosa prisão do Bin Laden douradense

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29/04/2011 – 21:04

Apesar de desprovido de um bom equipamento, o fotógrafo Ademir Almeida conseguiu flagrar Humberto Teixeira (no destaque) a la Bin Laden, depois de preso hoje em Dourados.

Guardadas as devidas proporções, a diferença entre Osama Bin Laden, o chefe da Al Qaeda que mandou dois aviões vararem às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 em Nova York, no mais espetacular ato terrorista da história, e Humberto Teixeira é que o ex-prefeito e ex-deputado douradense não precisa mandar formar pilotos para bombardear quem quer que seja ou sair por aí jogando aviões em prédios. Humberto é o comandante. Como Bin Laden, é também um chefe religioso, mas não tão radical, e como bom jogador, a exemplo do saudita, tem sempre uma carta na manga. E não é de blefar.

Dois posts pra trás, mostrando a necessidade de o Mato Grosso do Sul ter uma Cidinha Campos (a deputada que esculhambou os próprios colegas envolvidos em corrupção, num discurso no plenário da Assembleia do Rio de Janeiro que virou hit na internet), escrevi que o grande problema daqui eram dois homens-bombas soltos por aí, ambos com passagem não só pela Assembleia como pela prefeitura de Dourados. Um deles, o Valdecir, com passagem também pela polícia, pelo que foi obrigado a renunciar à prefeitura. O outro, Humberto Teixeira, com o filho, ex-vereador, todo encrencado com a polícia. Pois não é que hoje foi a vez de Humberto ir para o xilindró?

Pode parecer coincidência. Muita coincidência, aliás, mas prisão de seu Humberto, irmão do deputado “coronel” Zé Teixeira, só se deu porque o pessoal do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) foi bater em sua fazenda para prender seu filho e lá encontrou umas carabinas, uns trezoitões, além, claro, de alguns facões e machetes. Será que, ao se depararem com um Humberto Teixeira totalmente irreconhecível, lembrando o próprio Bin Laden, pela longa barba branca, os tiras acharam que ele poderia estar colocando minhoca na cabeça e, com este pequeno arsenal (normal em sítios e fazendas) e uma meia dúzia de peões estar pensando nalgum atentado? Ou quem sabe até jogar seu teco-teco sobre algum órgão público, como, por exemplo, a Assembleia Legislativa?

Logo depois da operação Owari, na primeira vez em que o filho Jr. Teixeira foi preso, Humberto andou reclamando do tratamento dado ao pimpolho e começou a mandar recados a ex-colegas de parlamento. Veio a Uragano. E lá se foi Juninho de novo pra cadeia. Ao ser cassado, o filho mostrou, na Tribuna da Câmara, cópias do que seriam cheques do mensalão dos deputados estaduais. Os Teixeira já foram mais poderosos. Até a primeira, a segunda prisão, tinham, ainda, alguma bala na agulha. Agora, quem conhece a família garante que tanto o pai como o filho não aguentam mais e que esta pode ser a última cacetada. Mas, que não vão sozinhos para o buraco.

Na manhã de hoje, enquanto Jr. Teixeira era preso na fazenda, em companhia do pai, a polícia vasculhava sua casa, em bairro nobre da cidade. Lá pelas tantas chegou um chaveiro. Não faltou um espírito de porco para elucubrar: “é agora que eles encontram os cheques do mensalão da Assembleia”.

Num dia de tantas coincidências, se o propósito era desviar a atenção para o que de mais importante – e grave – está para acontecer na Casa um dia frequentada por Humberto pai e para a qual pretendia ter ido o filho no ano passado, pode ser que o tiro saia pela culatra. A menos que, desta vez, desapareçam, definitivamente, as tais cópias dos cheques que têm deixado tanta gente sem dormir. E que fique o dito pelo não dito.

A alegação para a prisão de Jr. Teixeira desta vez foram os tão falados empréstimos consignados, feitos fraudulentamente em nome de funcionários da Câmara Municipal. Além dele, foram presos o ex-presidente Sidlei Alves, de novo, o chefe da divisão financeira Amilton Salina e o assessor legislativo Rodrigo Terra.

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