02/05/2011 – 21:05
Não tive o privilégio de tê-lo como professor. Até porque, ao contrário do observado hoje durante seu velório por um de seus alunos, o Roberto Djalma Barros, ele era o diretor do Oswaldo Cruz, o colégio dos ricos. E eu, estudava no Presidente Vargas, a escola dos pobres, nos bons tempos de diretores como Celso Amaral, Elda de Melo Rocha, Leila Fioravante e irmã Josephine Edwing Cloopenburg. Mas quem é que não conhecia o professor José Pereira Lins, o nosso querido Quati? Aproximamo-nos em função de nossas atividades públicas; eu como repórter ou nas assessorias políticas; ele, entre outras coisas, como bom pregador evangélico e presidente da Academia de Letras de Mato Grosso do Sul.
A amizade veio pela ponte construída por um de seus mais ilustres alunos e, também, dos mais queridos amigos – Harrison de Figueiredo. Depois, consolidando-se sempre que aqui ciceroneava João Leite Schimidt, que fazia questão de dar um pulinho no Lins para com ele levar um lero. Detalhe. Em latim! Nestas ocasiões eu me apequenava tanto que saia de perto.
Embora não tendo sido meu professor, Lins impôs-me a mais difícil de todas as tarefas, da qual saiu “Sonhos e Pesadelos”. Para vingar-me, impus-lhe o prefácio do livro, onde, em meio a tantas mesuras, ele cita uma metáfora bíblica empregada pelo apóstolo Paulo, “a fim de orientar os neófitos, ou catecúmenos, tão carentes da doutrina cristã que muito a propósito serve de bússola aos que ingressam na nobre área de comunicação, na qual esgrima, já vitorioso, o excelente jornalista” – da mesma forma, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá se toca com a flauta ou com a cítara? Por que, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?”. Tudo isso para, além de massagear gostosamente meu ego fazer uma profecia que em princípio me pareceu absurda (até porque o pastor da família é outro), mas que também já não mais descarto depois de uma intimação pública no mesmo sentido do líder espiritista, e outro grande amigo, Luiz Leal: “O autor, objetivamente, passa a sua mensagem. E todos a entendemos. Seria ele, também, um bom pregador?”.
Do alto da autoridade de quem presidiu uma Academia de Letras de um Estado o professor José Pereira Lins honrou-me com este diagnóstico sobre meu primeiro trabalho literário: “Mesmo para aqueles que não são jornalistas, críticos de arte, nem piedosos evangelistas, nem ainda pregoeiros de mudanças radicais, temos muito que aprender com essa leitura, que é bem escrita e plena de mensagens e ensinamentos. De um fiel registro de eventos históricos e sociais, segundo os autênticos modelos da crônica literária moderna, muito a gosto dos bons jornalistas: leveza de expressão, rapidez e brilho nos comentários, graça no dizer, brevidade, humor sadio. Elegância. Originalidade. Surpresa. Isso é o que não falta neste livro. Sem nenhum prejuízo dos relatos nele contidos. Um ótimo manual para os que desejam ingressar no mundo mágico da literatura”.
Minha briga com Lins, ultimamente, era para que aderisse à internet para poder me acompanhar no blog, que só lia quando lhe levavam cópias. Nenhuma dúvida de que agora, no mundo espiritual, além de ler-me diariamente, e, com certeza, mancomunado com Harrison de Figueiredo vai me ditar grandes pautas, para textos, espero, cada dia melhores.
No caso de José Pereira Lins cruzar com Nostradamus (não basta a carona com Bin Laden?) nesta nova caminhada é só bater um fio aqui para o Blog, para que possamos, em coro, bradar daqui a frase com a qual ele intitulou o prefácio de meu livro: “Arriba! Para cima! Para o alto”, pois é nas alturas, com muita luz e na paz eterna que merece estar este ícone de nossas letras e de nossa cultura.
Foto/Anita Tetslaff
