06/12/2012 as 09:27
Mantendo-se lúcido e ativo até a sua morte, nesta quarta-feira (5), aos 104 anos, no Rio de Janeiro, o arquiteto Oscar Niemeyer –também considerado um dos mais importantes intelectuais do país– mantinha o discurso afiado. Em entrevistas e depoimentos dados ao longo da vida, emitiu opiniões sobre temas como a vida, a política e as artes. Veja algumas das melhores frases do arquiteto. (Portal UOL, São Paulo).
Crença
“Você olha para o céu e fica espantado. É um universo fantástico que nos humilha e a gente não pode usufruir nada.” – Entrevista divulgada em 2007.
“Eu não acredito em nada. A ciência explica tudo, ela traz a verdade. Ela nos mostra como tudo começou. Acho que agora não há uma razão para caminhar nessas fantasias”. – Entrevista concedida em dezembro de 2009.
“Gosto de ficar sozinho, a pensar na vida, neste universo imenso que nos encanta e humilha. De sentir a fragilidade das coisas e a nossa própria insignificância”. – Entrevista dada em dezembro de 2007.
Mulher
“Há o pessimismo que bate quando estou sozinho e penso no mundo. Mas se é para ir a uma festa em que há mulheres bonitas, o pessimismo desaparece. A vida está correndo. Tenho momentos de tristeza, de prazer, de saudade… Faz parte.” – Entrevista concedida em março de 2003.
“O importante é mulher, não é? O resto é brincadeira. Acabou a entrevista, não é isso?”. – Entrevista divulgada em 2007.
Vida
“A minha vida não tem nada de especial. É a de um ser humano, assim, insignificante que atravessa a vida, que é um sopro.” – Entrevista divulgada em 2007.
“[Quero ser lembrado] como um ser humano que passou pela Terra como todos os outros – que nasceu, viveu, amou, brincou, morreu, pronto, acabou! –
Entrevista divulgada em 2007.
“Todos temos dentro de nós um ser oculto, que nos leva pra um lado ou pra outro. O meu é esse: ele gosta das coisas, ele gosta de mulher, gosta de se divertir, gosta de chorar, se preocupa com a vida. É um sujeito complicado, não é? – Entrevista divulgada em 2007.
Brasília
“Quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida. E arquitetura é isso – invenção.” – Entrevista concedida em 2001.
“A primeira vez que eu fui à Brasília de avião, a gente foi com os militares. Eu sentei ao lado do Marechal Lott e, no caminho, ele me perguntou: ‘Niemeyer, o nosso edifício vai ser clássico, né?’ Eu até disse, sorrindo pra ele: ‘o senhor, numa guerra, o que vai querer? Arma antiga ou moderna?” –
Entrevista divulgada em 2007.
Política
“Você tem que pensar na política, a política é importante. Você tem que pensar na miséria. E quando sentir que a coisa está ruim demais, e a esperança fugiu do coração dos homens, aí é revolução.” – Entrevista divulgada em 2007.
“Eu nasci comunista. Meu avô foi ministro do Supremo Tribunal por muitos anos. Quando ele morreu só ficou a casa em que morávamos, hipotecada. Por isso tenho muito respeito pelo meu avô Ribeiro de Almeida, porque ele foi um sujeito importante na vida pública, mas morreu teso.” – Entrevista divulgada em 2007.
“Não acredito em globalismo (globalização), não acredito em nenhuma dessas invenções dos americanos. Só acredito que eles querem invadir a Amazônia.” –
Entrevista divulgada em 2007.
“Mais importante do que a arquitetura é estar pronto pra protestar e ir à rua, isso que é importante, é o sujeito se sentir bem, sentir que não é um merda, que ele tá ali pra ser útil…” – Entrevista divulgada em 2007.
Humanismo
“Por enquanto só usa a arquitetura quem tem dinheiro, os outros estão fodidos aí, nas favelas” – Entrevista divulgada em 2007.
“Aqui, esse é o meu lema: fodido não tem vez”. – Entrevista divulgada em 2007.
“Vou parar nos cafés para ouvir historinhas, coisas da vida que um dia vão ter de mudar, quero ser um mulato que sabe a verdade, e que ao lado dos pobres prefere ficar” – Trecho de samba composto com Caio Junior para o grupo Banda de Ipanema.
“O pobre mesmo, que vê o prédio moderno, se espanta com a forma e tem seus momentos de emoção. Depois ele sabe que não vai participar, que não participa de nada. Nós trabalhamos para os donos do dinheiro.” – Entrevista realizada em dezembro de 2007.
Desenho
“Eu começo a desenhar. E quando chega uma ideia, uma solução que me agrada, eu passo a redigir um texto explicativo, porque se nesse texto eu não encontro argumentos, eu volto pra prancheta”. – Entrevista divulgada em 2007.
“A forma nova, diferente, que deve criar surpresa… essa é a arquitetura. Arquitetura é invenção” – Entrevista divulgada em 2007.
“A beleza é importante. As pirâmides foram uma coisa sem menor sentido, mas são tão bonitas, tão monumentais, que a gente esquece a razão das pirâmides e se admira. Se a gente ficar preocupado só com a função, fica uma merda.” –
Entrevista divulgada em 2007.
“O arquiteto tem que saber desenhar, fazer desenho figurativo, desembaraçar a mão para trabalhar” – Entrevista divulgada em 2007.
“Na Europa, às vezes dizem ‘o passado arquitetônico de vocês é pobre, é mais português que brasileiro.’ E eu dizia: isso é muito bom pra nós, porque vocês vivem circulando entre monumentos, e nós estamos livres para fazer hoje o passado de amanhã.” – Entrevista divulgada em 2007.
“Não é o ângulo reto que me atrai,
nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem
O que me atrai é a curva livre e sensual,
a curva que encontro nas montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar,
no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo,
o universo curvo de Einstein.”
Poema das Curvas

