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Tisnou, lascou!

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14/03/2013 – 14h59

Antes de ter seu gabinete transformado numa redoma, quando ainda era autorizado a receber amigos verdadeiros, alguns arvorados de conselheiros e desinteressados nos retornos municipais, pela intimidade que a amizade de trinta e cinco anos permitia e – apenas e tão somente – pelo fato de estar diante de um dos empresários mais bem-sucedidos do Mato Grosso do Sul, arrisquei-me à mais elementar das advertências ao prefeito Murilo Zauith – aquilo que nosso saudoso amigo comum Antônio Tonanni chamaria de óbvio ululante: só não pode deixar roubar. Observei que, de resto, por mais que fizesse, jamais conseguiria atender a todas as demandas, principalmente na questão da saúde e do famoso queijo suíço em que se transformaram nossas ruas e avenidas. Veja a condicionalidade do verbo roubar, por desnecessário e, no caso, até ofensivo, conjugá-lo como principal, por tudo que Zauith representa, ainda mais no pós-Uragano.

Não custa lembrar, neste contexto, que bastou o simplório professor Luiz Antônio Álvares Gonçalves virar, do nada, prefeito de Dourados para, de repente, no imaginário popular, se transformar num dos homens mais prósperos da cidade, dono de empresas, edifícios em sua acanhada Jaguapitã e até de coberturas em praias catarinenses. Tudo, evidentemente, coisa do imaginário popular, por conta da imensurável audiência da tal rádio-peão. Seu sucessor, Braz Melo, mesmo sentado na cadeira um dia ocupada pelo austero guru Totó Câmara, depois de descobrir Dourados num anúncio classificado de um jornal carioca, onde a antiga Sanemat oferecia uma vaga de engenheiro, também enricou rapidamente. Na mesma onda, passou a ser dono de concessionárias de automóveis, de hotéis e tudo mais, só voltando à difícil vida de engenheiro depois da quebra de um banco no Paraguai, onde também seria sócio de um shopping. O coitado do professor Tetila, a mesma coisa, depois de anos e anos num busão entre Dourados e São Paulo para se aposentar como mestre em geografia. Prefeito, ficou rico, com o lucro de lojas e do estacionamento do Avenida Center, tudo isso, fator gerador do Valdecir, protagonista, por enquanto, de uma das histórias mais mal contadas da terra de seu Marcelino.

Embora tenha agido com rigor ao primeiro sinal de bandalheira em seu governo, autorizando o flagrante que desbaratou a quadrilha que vendia vagas na fila da habitação popular, Murilo Zauith parece fazer ouvidos moucos para situações tão ou mais graves, deixando a coisa a correr frouxa em setores como a Cultura, pela pusilanimidade de um secretário que parece estar ali só para abafar os desvios de figurinhas carimbadas do setor; na sempre presente máfia saúde, faturando até com suprimentos de fundos; deixando sem nenhuma investigação a imersão do já famoso submarino amarelo carregado de preservativos adquiridos escandalosamente com o dinheiro público e, principalmente, às maquiavélicas e perigosas maquinações na cozinha de seu gabinete, onde tudo é autorizado. Tanto que não é à toa, nem segredo, que secretários andam às turras, obrigando o prefeito a deixar de lado o macro da administração para arbitrar interesses de velhas raposas da política estadual com seus prepostos infiltrados na prefeitura.

Pelo andar da carruagem de Murilo, pior que encerrar a carreira sem poder ver Dourados com a prosperidade com que sempre sonhou é o risco de ter de abreviá-la por conta de uma eventual praga “artuziana”. Sim, porque quando até o mais subordinado dos porta-vozes impressos oficiais começa a fazer uso de seu jagunço de redação para mandar recadinhos, é porque a coisa está passando dos limites. E sendo verdade que o pomar da parte galega do que já se convencionou chamar de triunvirato do mal da administração Zauith foi plantado no mesmo lixo em que se chafurdou a turma do Valdecir, aí é pra acabar mesmo, e as (os) laranjas podem apodrecer antes da hora.

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