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Déjà vu

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10/04/2012 – 17:04

Fábio Dorta-Dezembro/2010

Prefeita Délia e o governador André batem o martelo na candidatura Murilo, com apoio de Geraldo e Marçal. 

Pra quem vê jornal, tipo assim, en passant, e se depara com uma baita foto de primeira página de André Puccinelli ladeado por Geraldo Resende e Marçal Filho, mais Délia Razuk, todos do PMDB, logo abaixo o título informando que “pesquisa vai definir candidato em Dourados”, a impressão que fica é de que tudo está uma maravilha no partido que não era essa coisa quando Dr. Ulysses era vivo. O pau está comendo nos bastidores, tudo não passando de uma mise en scène básica do deputado Geraldo Resende em sua desesperada tentativa de não perder o bonde da história que o levaria a subir a rampa da prefeitura da terra de seu Marcelino.

Bem provável até que nunca antes nesta mesma história aquela regrinha técnica do bom jornalismo que manda colocar, além da data, a informação de que se trata de foto de arquivo tenha feito tanto a diferença, nessa insistência de alguns editores de achar que leitor de jornal é idiota. Ainda bem que o texto ajuda, um pouco, no entendimento deste imbróglio, e, já na primeira página, a informação que causa calafrios em Resende, dando conta de que “o resultado (da tal pesquisa) será anunciado mesmo diante de articulações visando a (sic) manter o PMDB na base de apoio de Murilo, eleito para um mandato tampão”.

Aos que têm a pachorra de procurar entender, afinal, o que está acontecendo com velho “manda brasa” em Dourados, a manchete da página três parece mais elucidativa, mas não menos tendenciosa, na medida em que o jornal esconde que o nome do prefeito neossocialista Murilo Zauith estará no disco da pesquisa “do Ibope” de Paulo Catanante, como aliado que é, até que se prove em contrário, de André Puccinelli. Assim sendo, a pesquisa definirá o candidato do governador e não apenas do PMDB. Quem lê este blog, aliás, já está cansado de saber que bicho vai dar.

Depois de escrever que André está, ora, vejam só!, “pressionado” por Murilo, o correspondente de O Progresso em Campo Grande, Willams Araújo, que conhece do riscado, lembra que semana passada, numa emissora de rádio da capital, “André disse que sua preferência é manter a aliança que levou Murilo ao poder no segundo maior colégio eleitoral do Estado”.

Pegando carona na matéria de Araújo, pelo jeito seu jornalista preferido, o deputado Geraldo Resende aproveita para se fingir de morto em relação aos resultados das pesquisas feitas rotineiramente por seu atual chefe político e que o colocam, sistematicamente, em terceira posição na disputa, atrás de Zauith e do colega Marçal. E, como se tivesse gabarito para assumir o lugar de Totó Câmara, a referência que o PMDB acaba de perder em Dourados, falando como chefe político: “É uma vontade do PMDB, porque há 20 anos nós não apresentamos alternativa ao povo de Dourados, sempre fomos um apêndice de outros projetos”, blá, blá e blá…

Não é à toa que Geraldo Resende faz de O Progresso o porta-voz de seus feitos e de suas perorações, como diria o internauta Pascoto. Como é que pode, o cara falar que há vinte anos “nós” não apresentamos alternativa, blá, blá e blá de novo! Para os privilegiados leitores deste blog, não custa lembrar: há vinte anos, Geraldo Resende era vereador pelo PSDB. Depois, ficou dez anos no PPS, quando deitou e rolou no governo de Zeca do PT, de quem foi secretário de saúde e por quem foi eleito federal, só voltando ao PMDB quando André já pintava como sucessor do petista.

E, para encerrar, a pergunta que não quer calar: será que Geraldo Resende aceita os números da pesquisa e apoia o candidato – do governador – que aparecer na frente? Acho que já vi este filme.

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