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Governo do Estado não ganha eleição em Dourados

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12/04/2012 – 10:04

De Pedro Pedrossian, maior liderança política do Estado desde os tempos do velho Mato Grosso, a André Puccinelli, apenas Marcelo Miranda pode bater no peito para dizer que, como governador, elegeu um prefeito em Dourados. O privilegiado, o peemedebista Antônio Braz Melo, na controvertida eleição de 1988, em que venceu Zé Elias Moreira por apenas 40 votos e de quem se poderia dizer também ter sido eleito por Wilson Martins, em seu retorno, em 1996. O detalhe, neste caso, é que Dr. Wilson, de quem Braz aí era vice-governador, muito mais do que fazê-lo prefeito queria era vê-lo longe do pé de Chico Magro da governadoria, pelas informações de que a macumba corria solta nas areias monazíticas de Guarapari, no Espírito Santo, para que desencarnasse do Parque dos Poderes em tempo de assumir o mineirinho de Aimorés.

Não que os governadores sejam incompetentes. O eleitor douradense é que é encardido, coisa que André Puccinelli, por mais que pesquise, pesquise e pesquise, não consegue entender. Ainda mais depois do fenômeno “pelo curto”, por ele tão desdenhado, em 2008, passando agora à história como a “crônica de um desastre anunciado”. E a maior prova disso é o resultado da primeira eleição depois da criação do Mato Grosso do Sul, com José Elias Moreira, então avaliado como o maior prefeito da história, e por isso deixando o cargo para concorrer ao governo do Estado, em 1982, perdendo precisamente em Dourados. Na esteira deste inusitado insucesso eleitoral, paradoxalmente, Luiz Antônio Gonçalves, candidato de Zé Elias, elege-se prefeito contra o peemedebista João Totó Câmara, mas numa eleição em que o candidato do governador Pedrossian e, muito mais, do programa Panelão, de dona Maria Aparecida, era o arenista Braz Melo.

Ao final de seu primeiro mandato, em 1992, já mirando o governo do Estado, Braz Melo resolve meter os pés pelas mãos e impõe o nome de Antônio Nogueira como seu sucessor, quando o candidato natural do PMDB seria Valdenir Machado. Se, em condições normais o governo do Estado pouco apitava, diante de tamanha lambança, o governador de plantão, de novo Pedrossian, resolveu dar uma de Pilatos, deixando que Londres Machado, no auge de seu poderio, conduzisse as articulações para a inesperada de ascensão de Humberto Teixeira, tendo Valdemir Machado, evidentemente, como fiel da balança. Depois do “saravá” de Guarapari, para retomar a prefeitura, em 96, Braz Melo ainda blefou, amedrontando Valdenir Machado, que, traído por Humberto Teixeira, acabou virando seu vice e encerrando a carreira política.

As duas eleições de Laerte Tetila apenas coincidiram com a estada do companheiro Zeca do PT no governo. Em 2000, Tetila ganhou em cima dos erros de Murilo Zauith, que recusou apoio de lideranças como Zé Elias Moreira, Braz Melo, Valdenir Machado, Roberto Razuk, os irmãos Humberto e Zé Teixeira, todos montando palanque para George Takimoto. Sem contar o ex-tucano Mardônio Alencar correndo e dando boas bicadas por fora, pelo PSB. Em 2004, ganhar de Bela Barros, mesmo apoiada pela estrutura de Zauith, foi como tomar doce de criança.

Veio 2008. E o grande recado – ou vocês criam vergonha na cara ou a gente troca tudo – do eleitor, para o qual a dita elite política insiste em fazer ouvidos moucos. Colocaram um “doido” na prefeitura, contra a vontade, mais uma vez, do governo do Estado.

Não é à toa que André Puccinelli tenta colocar na cabeça dos companheiros de partido, principalmente de Geraldo Resende, que, desta vez, até para evitar um fiasco como o de 2008, quando nunca antes na história um governador havia gasto tanta sola de sapato na Marcelino Pires, e como é para o bem de todos os douradenses e felicidade geral do Mato Grosso do Sul em 2014, que a bola continue com Murilo.

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