06/02/2013 – 14h03
Pode ter sido apenas uma coincidência, mas não custa à edilidade douradense estar atenta ao trovejar dos deuses. Justo na primeira sessão da nova legislatura, quando, por um acordo de bancadas decidiu-se que todos levantariam a bola para o secretário de saúde Sebastião Nogueira começar logo fazendo um gol de placa, com números da eficiência da administração Murilo no combate a dengue (contraponto ao desinfeliz início de Alcides Bernal em Campo Grande), eis que o danado mosquitinho derruba um de seus pares, impedido da triunfal estréia. E olha que para derrubar um Urbano do porte de Rafael Matos, só mesmo um “corintiano” de nome tão pomposo: o tal aedes aegypti. Menos mal que, agradável surpresa, entre tantas obviedades, veio do estreante Aguilera, primeiro índio com assento no Jaguaribe, a ideia de se começar pela escola e de se criar um exército infanto-juvenil para os cuidados básicos com a prevenção da doença.
Tão morna foi esta primeira sessão que ante uma observação da fotógrafa Anita Tetslaff, quanto ao encolhimento da câmara, de imediato cubei o plenário, apinhado de tantas e confortáveis poltronas, não só pela presença dos novos vereadores como de novos aspones. Mas não. Como proseávamos com Marco Antonio Barros, dono da produtora que transmite as sessões, ela se referia ao tamanho das câmeras de filmagens, tão minúsculas que nem me dei conta de uma delas, só por isso, por alguns frames de segundos, podendo ter invadido com minha grotesca figura a tela tão nobre de Alfredo Barbara. Subconsciente traído, certamente, de quem, ao longo da história, está acostumado a ver o circo pegando fogo e, por um reclame, minutos antes, do veterano Valdenir Machado. Do alto da experiência de quem tem o cheiro do povo, vereador, depois deputado de três mandatos e meio, o irmão do presidente da Casa dizia não entender mais nada de política e que talvez fosse o caso de começar tudo de novo. Valdenir, que foi vereador num tempo em que havia oposição, tendo como colega de bancada, por exemplo, um Negrinho Martins, opositor sistemático ao governo Totó Câmara; depois um Ediberto Celestino, com ele incansável na fiscalização da administração Zé Elias. Oposições construtivas, como a de Celso Amaral, que não deixou escapar a primeira faculdade federal de agronomia de Dourados, ou de Áureo Garcia Ribeiro, de memoráveis peças oratórias que faziam prefeitos tremerem na base e pensarem até mil antes de qualquer tentativa de retorno.
Passado o som, nós das gravatas devidamente apertados, os estreantes pareciam não ver a hora de começar logo a mostrar serviço. Como o agora ecumênico Sérgio Nogueira, já de saída puxando a brasa para sua sardinha, intercedendo por sua Ana Wollerman, ou Maurício Lemes Soares, além de anunciar parceria com o petista estadual Cecílio Tetila para implantação de academias ao ar livre, como filho de peixe peixinho é, lançando-se candidato à presidência da União de Vereadores do Mato Grosso do Sul, projeto político frustrado do pai, Archimedes Ferrinho. Por conta da emoção da estréia, alguns constrangimentos, como o do pastor Cirilo, ao se referir à “capivara” de Sebastião Nogueira; choramingas, como de Nelson Sudário, emocionado pela realização do sonho de subir à tribuna pela primeira vez, apesar dos parcos recursos de campanha; e tremedeira de cima dela, como do monossilábico Silas Zanata, o único que não afundou na poltrona, parecendo se perguntar “o que é que estou fazendo aqui?”.
E, para frustração geral, apenas e tão somente um discretíssimo apelo de Virginia Magrini ao “companheirismo e urbanidade” dos colegas, sem a varetinha com a qual começou procurando e medindo buracos no asfalto, nada, portanto, que ameace a governabilidade de Murilo Zauith, cuja mensagem enviada pelo vice pelo vice, Odilon Azambuja, parece ter sido no tom “escreveu, não leu, o pau comeu”.
Só isso para explicar os ouvidos moucos não só aos reclames populares diante de tanta coisa por fazer, e até das grandes promessas do próprio Murilo ainda não saídas do papel, mas, principalmente ali, na presença do secretário de saúde, nadica de nada sobre as graves denúncias do penúltimo parágrafo do post anterior, aqui no blog. A menos que minha audiência tenha caído à zero, será que vou ter de entrar na onda e começar a escrever a crônica de um servilismo anunciado?
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