27/12/2012 – 17h36
Depois da vitória de Alcides Bernal, por ele apoiado, para a prefeitura de Campo Grande e da eleição de aliados em cidades consideradas estratégicas, como o petista Paulo Duarte, em Corumbá, e o comunista Ludimar Novaes, em Ponta Porã, sem contar o namoro antigo com o neosocialista Murilo Zauith, em Dourados, o senador Delcídio do Amaral Gomez anda mais refestelado ainda, só pensando “naquilo”, ou seja, na cadeira do governador André Puccinelli. No seu habitual “bom dia” no Facebook, como sempre faz recorrendo a um texto bíblico, hoje ele mostrou que não está para brincadeiras, ao citar o último versículo do capítulo 91 do Livro de Salmos: “Fartá-lo-ei com longura de dias e lhe mostrarei a minha salvação.”
Otimismo exagerado, quase messiânico, como se vê, de quem apareceu como que num passe de mágica, no final da década de 1990, quando só então o Mato Grosso do Sul descobriu o filho pródigo que já havia sido até ministro (numa interinidade-relâmpago, mas suficiente para constar do currículo) das Minas e Energia do governo Itamar Franco. E, como tal, já pensando grande, com a ideia fixa em ser governador de seu estado natal. Introduzido na política pelo deputado Flávio Dérzi, tinha orgulho de apresentar-se como engenheiro-barrageiro, por sua participação na instalação da Usina de Tucuruí, no Pará, de onde foi para a multinacional Shell, na Europa, de lá retornando para a diretoria da Eletrosul, em Florianópolis, onde fixaria residência.
Barrado pelos tucanos em sua ousada tentativa de já ir chegando e querendo se abancar como candidato a governador, o corumbaense de nascimento foi obrigado a apoiar a natimorta candidatura de Ricardo Bacha, em 1998, mas, oportunista, bandeando-se para as hostes governistas com a eleição de Zeca do PT, de quem foi secretário de Infraestrutura, para, aí, pavimentar o caminho ao Senado, sempre de olho no governo, que, até tentou, mas dando de frente com André Puccinelli, em 2006.
No segundo mandato como senador, tido como o Rolando Lero do Senado, muito mais pelo desvelo com que trata sua cabeleira branca do que pela atenção dispensada ao “amado mestre” Lula da Silva, nesta segunda tentativa concreta de se eleger governador Delcídio pode ser vítima do próprio oportunismo, já que até 2014 o PT certamente não terá conseguido juntar os cacos do mensalão, o “capo” Zé Dirceu ainda estará atrás das grades e, olhe lá se o próprio Lula não estiver, também, em palpos de aranha, não só por conta da delação de Marcos Valério no esquema do mensalão como pelo volume de água que pode fazer implodir as bases do porto petista, já não tão seguro como até aqui.
Menos mal que paralelo ao seu eruditismo musical, também sempre exibido nas mídias sociais das quais é aficcionado, Delcídio tenha essa predileção por versículos bíblicos, pois, certamente, terá de ler e reler inteiro o capítulo 91 do Livro de Salmos, onde, antes de tratar da fartura política dos que almejam a sombra do Altíssimo o rei Davi adverte, no versículo sete, para o fato de “caírem mil ao teu lado e dez mil à tua direita, (mas) tu não serás atingido”, já que escapou do mensalão, mas pode ainda vir a ter problemas com os retornos da Uragano – a operação da Polícia Federal que dizimou boa parte da classe política douradense, com respingos no Parque dos Poderes e no Congresso Nacional.
Clique aqui para ver os textos anteriores ouClique aqui para voltar à página inicial

