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Letras UFGD: 40 anos

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23/11/2011 – 08:11

Wilson Valentim Biasotto*

Aos professores do curso de Letras da UFGD, pela árdua, mas não inglória missão de transmitir os segredos e as belezas de nossa Língua Pátria.

1971, o terreno doado por Wlademiro Muller do Amaral já não tinha sequer vestígios do velho barbaquá que durante muitos anos servira para a secagem da erva-mate. Seu Dionísio, um dos mais antigos funcionários do CEUD, contava-me histórias de tempos antigos e dentre elas a da existência desse barbaquá no terreno onde hoje se encontra a reitoria da UFGD. Poucos talvez saibam desse importante detalhe, afinal, onde hoje se encontra a reitoria da UFGD é uma região metropolitana, embora nos idos de 1970 fosse um recanto distante da cidade. Uma ou outra construção acima da Rua Ciro Melo, no mais o descampado e ruas sem pavimentação. A Vila Tonani ainda não havia sido loteada, o BNH 1º Plano ainda não fora inaugurado e não passava de um bairro periférico, sem asfalto. O BNH 3º Plano somente foi inaugurado em 1976, se a memória não me falha. Diria que o CEUD de 1971 estava quase tão distante da “cidade” quanto está hoje a Cidade Universitária.

Wlademiro Amaral era agrimensor de profissão, tinha profundo conhecimento da região e sabia perfeitamente que as nossas terras férteis precisavam de técnicos especializados para fazê-las produzir. Doou aquela quadra (hoje reitoria da UFGD) ao Governo do Estado para que fosse implantada a Faculdade de Agronomia, tanto é verdade que quando da inauguração do prédio, a placa comemorativa trazia a inscrição: “Faculdade de Agronomia”. Mas, não tendo sido cumprido o desejo do doador, esse nome foi riscado da placa, rasura que deve permanecer até hoje, se é que a placa não foi removida. 

Ao invés da Faculdade de Agronomia foram implantados em Dourados em 1971 os cursos de Letras e Estudos Sociais (embora tenham sido anunciados os cursos de História e Geografia, o que gerou a primeira greve do ensino superior em Dourados). Estudos Sociais sucumbiu, não resistiu nem mesmo ao fim da ditadura militar que o implantou. Restou Letras, sólido, vibrante, forjador de jovens talentos literários, lingüísticos, poéticos e jornalísticos. Restou Letras, o primeiro curso superior abaixo de Campo Grande, que formou professores habilitados para ensinar a Língua de Fernão Lopes, Gil Vicente, Camões e Saramago; a Língua de Machado, Drummond, João Cabral, de Chico, de Vinícius e de todos nós.

Quarenta anos decorridos, talvez poucos se lembrem dos pioneiros, quase todos migrantes: Isaura Higa e Telma Vale de Loro vieram de Campo Grande. A irmã Josefina e a professora Ema Elisa Goellsner do Rio Grande do Sul. O professor José Pereira Lins do Nordeste e Lauro Chociai do Paraná. Dos pioneiros faleceram Isaura Higa, que empresta o seu nome à Biblioteca e José Pereira Lins, hoje dando nome ao edifício da FACALE. Os outros pioneiros que ministraram aulas no curso de Letras, embora fossem de outras áreas de conhecimento foram os professores Kiyoshi Rachi, vindo de São Paulo, Zonir de Freitas Tetila, mato-grossense da gema e Lori Alice Gressler, vinda do Rio Grande do Sul.  

Atualmente imagino que os pioneiros, lembrados ou não, devem sentir uma pontinha de satisfação por terem enfrentado tantos e tantos sacrifícios para legarem à nossa região essa grande realização imaterial, que forjou lideranças, que cresceu, fortaleceu-se e hoje é reconhecido nacionalmente.

Suas críticas são bem vindas

biasotto@biasotto.com.br

  • Membro da Academia Douradense de Letras; aposentou-se como professor titular pelo CEUD/UFMS, onde, além do magistério e desenvolvimento de projetos de pesquisas, ocupou cargos de chefia e direção.

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