21.2 C
Dourados
quarta-feira, julho 1, 2026

A trilha sonora da rádio peão

- Publicidade -

19/04/2012 – 10:04

Filha do blogueiro-coruja, Ana Carolina, em exposição de equipamentos bélicos em Kuala Lumpur, Malásia

“No puedo más mi corazón, ta doendo aqui na solidão / No puedo más vivir sin ti, volta logo pra Dourados / Ou eu vou pra Juti”.

No dia do Índio, mais especial ainda porque é também o dia do aniversário do – rei Roberto Carlos – maior fenômeno da música popular brasileira de todos os tempos, o som da saracura num background quase inaudível vindo lá das bandas para aonde corre o Laranja Doce é sinal de que tudo está tranquilo na, por enquanto, terra do Murilo. Ainda mais com um pedreiro mais que inspirado pelos movimentos da vassoura da periguete recém-contratada pelo vizinho, do alto da cumeeira da construção aqui ao lado da batcaverna entoando o sucesso de Fernando e Sorocaba, apenas substituindo o nome da capital espanhola pela nossa Vila Juti. No intervalo das insistentes reprises, uma notícia requentada, saindo do solo na mesma velocidade dos tijolos jogados pelo ajudante, dando conta de que a construção abandonada no cul-de-sac oposto seria a misteriosa ex-futura mansão do Valdecir, o prefeito defenestrado pela Uragano.

Se Antônio Braz Genelhu Melo quase passa à história como o maior adquirente de empresas no tempo em que esteve prefeito de Dourados, justiça seja feita, até pelo trauma de tantas maledicências, foi também o que mais rigorosamente combateu a famosa rádio peão. Era um assessor ou companheiro político chegar ao seu gabinete com uma dessas “novidades” e ele largava tudo o que estava fazendo para ir fundo na investigação, tirando tudo a limpo antes que a história se alastrasse e não deixando sem boas carraspanas não só o leva-e-traz, mas principalmente os especialistas nesse tipo de invencionice.

Nem o mais comedido de todos os ocupantes do velho Casarão da João Rosa Góes nesses últimos tempos, Luiz Antônio Álvares Gonçalves, escapou do raio de ação das ondas da rádio peão. Só porque, concomitantemente com o mandato seu irmão Manoel Alexandre tentou montar um fábrica de macarrão no Distrito Industrial, da noite pro dia o professor Luiz Antônio passaria a ser citado como afortunado proprietário de edifícios em Curitiba e até em sua terra natal, como se à época, ainda uma corruptela, Jaguapitã comportasse esse tipo de empreendimento.

Seu antecessor e padrinho político, Zé Elias Moreira, ouviria os ecos da rádio peão antes mesmo da posse, pela aquisição de uma casa financiada pelo BNH; Humberto Teixeira perdeu a conta das fazendas que comprou no período; Braz Melo, depois de gerenciar o Mercosul, como vice-governador, em seu retorno, chegou a internacionalizar seus negócios e outro professor, o pobre Laerte Tetila, entre outras coisas, virou sócio até de um Shopping Center. Do Valdecir, foi um deus-nos-acuda, tanto que deu no que deu. Como Murilo Zauith não precisa dessas coisas, bem provável que a rádio peão fique fora de sintonia por uns tempos, quem sabe tenha até a licença cassada.

Antes que, por razões mais que óbvias, comecem as elucubrações sobre as reais intenções de minha filha Ana Carolina depois da foto postada hoje no facebook, que fique claro: a “piripipi”, como diria seu avô Waldemar, é epenas um dos itens de produtos bélicos da indústria para a qual ela trabalha, sediada em Viena, na Áustria. E, assim, aproveitando a trilha sonora do pedreiro, vou tentar uma rima para a melodia de Fernando e Sorocaba, até porque, além de não querer voltar logo pro Brasil, seu sonho dourado é levar o pai (de mala e cuia) pra Viena.

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-