24/09/2012 – 16:09
Depois de vários dias de silêncio, não sei se pela frustração decorrente do ostracismo político a que foi relegado após a prisão, por ter ido com muita sede ao pote e obrigado a renunciar ao cargo de prefeito da segunda maior cidade do Estado, se pelas bravatas ameaçando jogar titica no ventilador da política estadual ou se pelo câncer que corroeu parte de seu intestino grosso, eis que ele me liga, quinze dias atrás, para dizer que estava indo para o hospital Evangélico fazer mais uma cirurgia que nem bem sabia direito para o que era, mas na certeza de que saindo vivo de mais essa iria direto para Campo Grande ajudar Alcides Bernal se eleger prefeito. “É lá que vou pôr a boca no trombone e denunciar todas as injustiças que fizeram comigo”. Este é o Valdecir Artuzi. Este o factoide para qual o eleitorado de Campo Grande deve estar atento.
Nenhuma dúvida de que Alcides Bernal é um bom comunicador radiofônico. Mas para por aí. Até o início desta campanha eleitoral, no curto espaço de tempo que gastava entre a margem direita do Laranja Doce e a padaria mais próxima, costumava ouvir sua chorumela fazendo a cabeça do eleitorado mais humilde por meio das ondas de frequência modulada da emissora de Ivan Paes Barbosa. Pior, numa heresia danada, já que, demagogicamente, utiliza-se da Palavra de Deus para fazer proselitismo político. Não tão cara-de-pau como muitos dos picaretas que se dizem evangélicos e que Brasil afora infestam as telas de TV, só não fazia milagres, até pela falta de convicção em suas preces, mas distribuindo Bíblias a torto e a direito com a desculpa de alavancar a audiência, na verdade o que talvez seja o mais descarado método de driblar a legislação para comprar votos.
Antes do desastre político e administrativo do fenômeno Valdecir Dourados também se lançou numa aventura como a que agora pode fazer Campo Grande parar no tempo depois das tantas administrações peemedebistas tão bem sucedidas, que começaram com Lúdio Coelho, passando pelos anos dourados de André Puccinelli e agora com seu pupilo e sucessor Nelsinho Trad. Também com um radialista. Só que muito mais contundente e veemente no palavrório que o tal Bernal. Jorge Antônio Salomão até fazia suas orações, mas em lugar das Bíblias distribuía alimentos e serviços, liderando campanhas humanitárias que passaram para a história, como as de envio de alimentos, roupas e agasalhos aos desabrigados das cheias de Cuiabá, Aquidauana e Tubarão, em Santa Catarina, sem contar a verba diária de seu “mini recados”, toda revertida para ajuda aos pobres e necessitados que faziam filas nos altos da Ciro Melo, onde funcionava a Rádio Clube. Como prefeito, foi um desastre.
O processo é democrático? É! Campo Grande merece um novo Valdecir? Não! Se o problema é não votar, pura e simplesmente, no candidato indicado por André, alternativa é o que não falta aos campo-grandenses. As últimas pesquisas, inclusive as de meu amigo Lauredi Sandim, do Instituto da confiança do próprio governador e que para ele trabalha há muitos, indicam a vaca indo para o brejo. E isto, porque o Valdecir ainda está convalescendo e sua ajuda a Bernal só se materializará no segundo turno. Que Deus tenha piedade de nossa capital morena.
