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quarta-feira, julho 1, 2026

Dom Quixote tucano monta cavalo paraguaio

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05/04/2012 – 17:04

Foto montagem: Anita Tetslaff

Verdade, verdadeira, é que mais quixotesco que Elízio Brites (foto) só o agente penitenciário licenciado Mauro César (não vamos nem considerar as gaiatices do carneirinho Fábio Aguiar), o primeiro tucano a cair do galho da sucessão municipal. Brites, pelo menos, já selou um cavalo paraguaio, herança de família, lá das bandas de Sanga Puitã, para o caso de não conseguir o indispensável caminhãozinho de som invocado por doutor Pedro Pedrossian para afugentar a candidatura à mesma prefeitura do fiel escudeiro Zé Elias contra o pupilo Braz Melo, em 1996. Se vai conseguir atropelar o Malibu Matrix de Murilo Zauith na cabeceira da pista antes da decolagem do Embraer 195 da Azul que apareceu outro dia na capa de um jornal local como já ligando Dourados ao resto do mundo, são outros quinhentos.

Tal qual o bacharel Mauro César, ainda não habilitado junto à OAB, o também quase advogado e quase engenheiro Brites se apresenta como pré-candidato a prefeito do PSDB prometendo o diferente, mas fazendo o maior segredo quanto ao grau de intensidade do impacto dessa sua proposta na quase arrasada terra de seu Marcelino depois da passagem do furacão Valdecir. Mais pé no chão, dá-se por satisfeito com a palavra empenhada do deputado Reinaldo Azambuja quanto à largada, pelo menos, do tal cavalo paraguaio. Mauro Cesar desistiu depois do sepulcral silêncio da Casa Branca em relação ao convite para que o presidente Barack Obama desse um pulinho até a aldeia Jaguapiru para o lançamento do primeiro núcleo indígena tucano do Brasil, alavanca que, evidentemente, dispensaria até o famigerado caminhãozinho de som.

Se faz segredo quanto ao que pode ser um revolucionário projeto de governo, Elízio Brites já dá o tom do discurso de campanha: Dourados, além de não poder mais parar, não pode mais se curvar aos interesses daqueles que dela se adonaram. Seu dono, desde que forma ordeira, é o povo. Dizendo-se enojado pela lembrança das narrativas do sogro, seu Luizinho, zelador de banheiros do velho Casarão da João Rosa Góes, garante pôr um freio nessa coisa de corrupção. Um discurso coerente, aliás, para quem há tempos bate às portas dos tribunais com calhamaços e mais calhamaços denunciando cambalachos de prefeitos que nadaram de braçada no final do século passado até o alvorecer da era Valdecir.

Para a versão jaguapiruana da obra de Cervantes claro que não poderia faltar o Sancho Pança. E põe pança nisso, depois da convalescença pela sapituca decorrente da injustiça de que foi vítima o anfitrião da última reunião de nanicos dispostos a encarar esta aventura do novo de La Mancha. Até uma Dulcinéia, pela intimidade com os microfones, e, neste caso, querendo também ser candidata, estava lá, na imponente residência do médico Luiz Machado nos altos do elegante Jardim Europa. Foi ali que começou a estratégia.

Fica a esperança de que o prudentino Elízio Brites não repita Dom Quixote na parte da história em que nosso herói confundia Moinho de Ventos com Gigantes a serem atacados, poupando a chaminé da Usina Velha numa eventual investida contra a gigante Unigran, ali ao lado, já que o objetivo do ataque é o prédio em cujas  rampas laterais, do outro lado da cidade, ele espera que seu Rocinante paraguaio não refugue.  

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