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quarta-feira, julho 1, 2026

Os címbalos de Murilo para mudar a história

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19/03/2012 – 10:03

Foto: assessoria PMD

Murilo vai transformar o calçadão da Nelson de Araújo em bulevar 

Toda vez que alguém vem com esse discurso de mudar a história da cidade, como fez o prefeito Murilo Zauith, em seu twitter, outro dia, é confusão na certa. A impressão que fica é que se trata de alguma praga ou, quem sabe, de mais uma pegadinha do tal sapo enterrado na Praça Antônio João aos pés do herói da guerra do Paraguai que a ela dá nome mesmo sem nunca ter pisado na terra de seu Marcelino. A primeira mudança prometida, aliás, foi a única que deu certo, talvez pelo susto que seu anúncio causara como slogan da campanha de José Elias Moreira em 1976, de antemão provocando protestos, até bem humorados, como o da família Dauzacker, durante carreata adversária puxada por um fordeco bigode com a faixa “sou velho, por isso respeito a história desta cidade”.

A mais radical mudança da história foi se processando ao longo do tempo, pela mais absoluta falta do quê fazer, sempre, de suas excelências, os nobres vereadores. E, aqui, Zé Elias – sempre ele! – além de cumprir a promessa no que tange à modernidade da administração, estancando o que seria o maior golpe na história não só de Dourados, mas do que viria a ser o Mato Grosso do Sul, pois que antes mesmo de sua criação estes mesmos vereadores tentaram renegar sua criação propondo a troca dos nomes das ruas Mato Grosso e Cuiabá. Casado com uma cuiabana o filho de seu Quinzito subiu nas tamancas e mandou à mesma Câmara um projeto de lei dando o assunto por encerrado. Até então todos os Estados brasileiros davam nomes às ruas do quadrilátero central, tanto que para muitos, até hoje, a rua Hayel Bom Faker continua sendo Bahia, a Onofre de Matos Santa Catarina, a Weimar Torres Rio Grande do Sul (ou rua dos velhacos) e assim por diante.

Como o nome de um dos fundadores do município, Marcelino Pires, dado à principal avenida, também é tido como cláusula pétrea o prefeito Braz Melo tentou interrompê-la com um monumento no cruzamento da Presidente Vargas para, segundo ele, Dourados não passar despercebida pelos visitantes. Demovido da ideia, tentou a mesma coisa onde se juntam as BR 163 e 463, na entrada da cidade, mas diante da proibição do Ministério dos transportes contentou-se em deixar sua “mão” eternizada na mesma Marcelino Pires, justamente no trecho que dá acesso ao Parque das Nações I, por coincidência onde funcionou a famosa urna 185 que lhe deu a vitória em 1988 contra o mesmo Zé Elias.

Antes de Braz Melo, Luiz Antônio, o prefeito do cinquentenário do município, deixou sua marca num totem no calçadão da Nelson de Araújo, agora demolido por Murilo Zauith. O petista Laerte Tetila, inspirado no boneco de campanha do companheiro João Grandão, aproveitou para homenagear os ervateiros. Veio o Valdecir, e, achando o monumento muito feio e ouvindo falar em tombamento histórico disso e daquilo mandou “tombá-lo” na calada da noite.

Já que a desculpa usada para a demolição do calçadão é a melhora do fluxo do trânsito e de quebra acabando com mais um ponto de drogas, os tratores de Zauith bem que poderiam avançar pela mesma Nelson de Araújo, no trecho da rua em que a família Amaral “doou” para a construção da escola Presidente Vargas, efetivando a ligação do centro com uma das áreas mais nobres da cidade.

Quanto aos címbalos de Murilo para a mudança da história, mais que uma pegadinha com os internautas revisores do Blog, trata-se de um alerta, depois de o símbolo alaranjado de sua administração já ter produzido o primeiro processo por improbidade administrativa no Ministério Público. Antes que venha o sinal amarelo, e depois o vermelho, que o som dos pratos (estes, sim, címbalos) de seus marqueteiros anunciando os novos tempos não se misture à barulheira da saracura à beira do Laranja Doce, para que o blogueiro não comece a chamar Jesus de Genésio.

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