16/03/2012 – 18:03
Foto: Anita Tetslaff
Sidlei Alves, à esquerda, ex-presidente da Câmara, tido como deputado eleito em 2010, e os demais prefeitáveis que naufragaram com a Uragano.
A quem lhe perguntasse três anos atrás sobre sua preferência para a eleição do sucessor de Ari Valdecir Artuzi o atual (neste caso cabe o adjetivo) prefeito Murilo Zauith apontava, sem titubear, para os nomes de Sidlei Alves, Marcelo Barros, Júnior Teixeira ou até o veterano José Carlos Cimati. Despontando como estrelas de uma nova geração política, mas alvejados pela Polícia Federal ainda na cabeceira da pista, durante a operação Uragano, em vez do voo com céu de brigadeiro no planador da Unigran sobre a Marcelino Pires rumo ao principal prédio Coronel Ponciano os então vereadores espatifaram-se uns metros antes, no cemitério onde a administração Jorge Antônio Salomão deixou sua maior marca.
Desiludido depois de duas tentativas de se eleger prefeito e já prevendo que o Valdecir repetiria o que Nero fez em Roma, “incendiando” Dourados, o então vice-governador Murilo Zauith, já dobrando o cabo da boa esperança, sonhava então encerrar a carreira política como senador. O prognóstico, evidentemente, levava em conta o apoio explícito do governador André Puccinelli. Em relação às eventuais candidaturas “dos meninos”, considerando-se que primeiro enfrentariam o teste das urnas como candidatos à Assembleia, em 2010 para, depois, quem se saísse melhor, encarar a majoritária deste 2012. E ele sabia, de antemão, que seria uma parada difícil, pois que do outro lado estaria o PMDB com um de seus federais, Geraldo Resende ou Marçal Filho, nem se cogitando à época o nome de Délia Razuk, encorpado depois de sair incólume da mesma Uragano e, na sequência, pelo tal do recall de seus dias como prefeita interina. Nem uma coisa nem outras. O mundo veio abaixo e Murilo Zauith se viu, enfim, prefeito, por um dessas obras do destino.
Além desta linha demarcatória estabelecida, primeiro pela Owari, depois pela Uragano, para o surgimento de uma novas lideranças políticas na terra de seu Marcelino, tendo este vácuo dado sobrevida ao próprio Murilo, sua passagem pela prefeitura marca também o encerramento do ciclo de uma geração da qual ele será lembrado como um dos expoentes. É que dessa “tchurma”, aí incluídos os ex-prefeitos Zé Elias, Braz Melo, Humberto Teixeira e Laerte Tetila; os ex-deputados Valdenir Machado, Waldir Guerra e João Grandão, além dos atuais, “seu” Zé Teixeira e George Takimoto, fazem parte também os mesmos federais cujos cavalos estariam encilhados para 2012 ou, no máximo, 2014. Com Geraldo e Marçal se perdendo com a má sinalização nas curvas de retorno e caindo na encruzilhada que leva ao Supremo Tribunal Federal, de onde, mesmo conseguindo salvo-conduto, terão reduzidíssimas chances de retorno ao Congresso, bem provável que o eleitor tenha de recorrer aos classificados de jornais em busca de candidatos no pós-Murilo, para – ou até que surja – uma nova safra política.
Lembrando que a Owari e a Uragano além de liquidarem com a única liderança em ascensão – do fenômeno Valdecir (que já sonhava também com o Senado) e seus coadjuvantes – abortou ou adiou, pelo menos, projetos de empresários que se preparavam para entrar na política, como Dudu Uemura, Sandro Barbara e André Tetila, entre outros.
