06/03/2012 – 08:03
Dando-se o devido desconto por se tratar de conversa de pescador, o encontro entre o governador André Puccinelli com o prefeito Nelsinho Trad e o pré-candidato do PSD à prefeitura de Campo Grande, Antônio João Hugo Rodrigues, às margens do Piquiri pode ter selado o quadro político não só para a prefeitura da capital, como também para a sucessão estadual, não por coincidência um dia antes do lançamento do deputado federal agora peemedebista Edson Girotto também à prefeitura. Enquanto Delcídio do Amaral surfava nas ondas da internet, como gosta de fazer nas manhãs de domingo, sempre sugerindo textos bíblicos ou exibindo seu requintado gosto musical aos seus seguidores do Twitter, André, Nelsinho e AJ, embora jurem (repito, trata-se de conversa de pescador) não ter conversado de política, entre uma e outra ventrecha de tucunaré, certamente devem ter definido um plano para comer o fígado do senador petista em 2014.
Pra quem não sabe ou não se lembra, a causa das tantas escaramuças entre André Puccinelli e a família Trad sempre foi o temido Correio do Estado. A coisa piorou depois que Antônio João foi intoxicado pelo ar poluído do salão azul do Senado, onde ocupou a cadeira de Delcídio por uns dias, durante a campanha de 2006, pois a partir daí começou posar como chefete político. Lembrando que em 2004 o grupo Correio do Estado praticamente impôs o nome de seu à época funcionário (apresentava um programa no SBT local) Nelsinho Trad, já vereador e presidente da Câmara Municipal. Detalhe: naquela época o prefeito André já trabalhava o nome de Girotto como seu sucessor. Como é da “Sorbone” (Fátima do Sul) da política de Mato Grosso do Sul, pediu paciência a seu pupilo, mandando-o entrar de novo na fila, assegurando-lhe, enquanto isso, um cursinho básico de política no Congresso Nacional.
Assim, por tudo que se viu e se leu de ontem pra cá, em todos os canais de TV, rádio, jornais e sites, de agora em diante é “só love” entre o André, Nelsinho e o padrinho Antônio João. E a jornalista Mayara Sá, autora da emblemática foto que ilustra este post, pode ter disparado seu flash no que viu e acertado no que não viu ou que não sabia, já que o famoso Baron que levou André e Nelsinho até o pesqueiro do Piquiri é o mesmo avião usado por Delcídio em suas campanhas e causa do início das desavenças entre ele e seu ex-suplente. Quer dizer, além de ficar sem âncora para apoiar seu barco em 2014, o senador, que ainda não convenceu como petista, pelo jeito, pode começar a pensar em outro companheiro que possa lhe “emprestar” algum teco-teco.
