02/03/2012 – 08:03
Num debate durante uma das muitas campanhas políticas em que disputou o hoje deputado Paulo Maluf foi “elogiado” pelo adversário como o mais competente de todos. Era uma alusão às dez derrotas (quatro à prefeitura de São Paulo, quatro ao governo do Estado e duas à presidência da República) colecionadas por Maluf. Ou seja, competente no sentido de competir… competir… competir… Até aqui, particularmente, em Dourados, antes da Uragano, também era grande o número desses competentes, principalmente à Câmara Municipal, ultimamente surgindo também os que veem a disputa da prefeitura como um novo nicho de mercado político, colocando o nome “a serviço” da causa com o pragmático argumento de que partido que é partido precisa disputar eleição, mas no fundo, no fundo, todo mundo pensando num retorninho. Antes da eleição, claro. O que vier depois é lucro, como, por exemplo, uma secretaria, mesmo que seja para um inoperante militante ou dirigente. No pós Uragano, entretanto, e, com a nova lei da Ficha Limpa, esta mamata deve acabar – e já! – a partir das eleições de outubro deste ano.
Supondo-se que prevalecesse aquele quadro traçado pelo – munheca – Papai Noel (tem gente que acredita, fazer o quê!) peemedebista. Para os ditos candidatos profissionais, repito, aqueles que competem… competem… competem… o quadro já seria mais que desanimador, pela muquiranice oceânica dos dois principais pretendentes à candidatura – os deputados Geraldo Resende e Marçal Filho. Mesmo no caso de ser candidata a vereadora Délia Razuk, sempre muito generosa, mas nesses tempos em que o bicho anda pegando também na Câmara Municipal não arriscaria dar um passo além do que a Justiça Eleitoral determina, a menos que o marido, ex-deputado Roberto, ganhasse logo a ação milionária que move contra o Banco do Brasil, que há anos vem emperrando seus negócios.
Não bastasse esse estado de fru$tração geral, somando-se o fato de que quem está no comando da coisa chama-se André Puccinelli, que também não é de gastar dinheiro com defunto político ruim, já se ouve o foguetório do caminhão palanque com o melhor som do Centro-Oeste brasileiro e apinhado de tucanos, demos, nanicos e outras espécies, todo enfeitado de estrelinhas vermelhas, contornando a Mão do Braz para tomar as quatro novas pistas da Marcelino Pires numa carreata tipo vapt-vupt, graças à onda verde, direto rumo ao lago do Flórida, para o grande comício da vitória de Murilo Zauith. Pelo que se vê, desta vez, nem Geraldo Sales (qual mesmo o partido dele?) vai se arriscar.
Se com alternativas de disputa para a prefeitura a situação desses profissionais da política e seus partidinhos já havia ficado muito difícil, diante deste novo cenário, com Murilo Zauith, que não é tão muquirana assim mas que se impõe limites (tanto que perdeu duas eleições para a prefeitura e uma para o Senado), mas agora lastreado pela máquina da prefeitura e apoiado pelo governador André André Puccinelli, caminha-se para um referendo. Bem possível, até, que Dourados, agora com ares de capital de Estado (gostaria de saber quem colocou esta ideia de jerico na cabeça de Murilo) vá para o Guinness Book como a primeira cidade do Brasil a fazer uma eleição sem arroz carreteiro, sem puchero e até sem os infalíveis santinhos.
