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Por que André vai apoiar Murilo

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19/02/2012 – 11:02

Embora um acontecido do século passado, não faz tanto tempo assim. Seus protagonistas estão aí vivinhos (e põe vivo nisso!) da silva, pra não me deixarem mentir, inclusive um coordenador de campanha que numa véspera de eleição municipal foi obrigado a passar a noite num colchão pouco convencional – um saco de dinheiro, vindo de Campo Grande, para a boca de urna. Era o tempo que o apoio do governo do Estado fazia toda a diferença, como, por exemplo, nos 40 votos da famosa urna 185, do Parque das Nações, que deram a vitória a Braz Melo (com o apoio explícito do governador Marcelo Miranda) sobre José Elias Moreira naquele 15 de novembro em que nunca antes na história o azul da bandeira do município teve uma predominância tão forte sobre as demais cores, pela coincidência deste tom nas camisetas dos milhares de cabos eleitorais do candidato governista plantados ao clarear do dia em cada esquina da cidade.

Vendo assim à distância o desespero e a angústia do camaleônico deputado peemedebista Geraldo Resende (foto) pelo apoio de André Puccinelli, fica a nítida impressão de que ele ou não conhece bem seu atual chefe político ou não se deu conta de que o Brasil, apesar da descoberta da senha do cofre do Tesouro por quadrilheiros como os do mensalão e agora pela turma dos retornos, vive sob a égide da Lei de Responsabilidade Fiscal, um dos maiores legados do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, não por acaso tão paparicado pela fada madrinha Dilma Rousseff.

Enquanto ganha tempo para oficializar seu apoio a Murilo Zauith, André Puccinelli vai queimando etapas, para preparar o espírito da companheirada. Recentemente, em conversa com um dos pretendentes, mandou avisar, fazendo lembrar a Disparada, de Geraldo Vandré – “Não por mim nem por ninguém/Que junto comigo houvesse/Que quisesse ou que pudesse/Por qualquer coisa de seu/Querer ir mais longe, do que eu…” – que apoio até poderia ter, mas que isso não significaria la plata, pois até onde sabia todos os pretendentes estavam muito bem aquinhoados financeiramente.

Como as eleições municipais são sempre um trampolim para a quem deseja voos mais altos na política, como é o caso de Puccinelli, candidatíssimo ao Senado em 2014, sendo Dourados posição estratégica nesta guerra que inclui também a manutenção do governo do Estado nas mãos de um aliado, (mesmo que venha ser Delcídio do Amaral), o governador não vai querer arrumar sarna pra se coçar justamente na cidade que sempre considerou a mais difícil de mexer politicamente. Assim, com Campo Grande se derretendo a cada novo temporal, ameaçando levar por água abaixo o prestígio de seu pupilo Nelsinho Trad, sem contar a altíssima vulnerabilidade de seu ungido – Edson Girotto – para substituí-lo na prefeitura, é imprescindível continuar o bom relacionamento com seu ex-vice e amigo Murilo Zauith, o único que, comprovadamente, tem bala na agulha. Isto, se o espírito do Ervateiro, que já havia se apossado do corpo do Valdecir, não baixar em Zauith, depois da demolição do calçadão do cinquentenário.

Se quisesse, mesmo, virar prefeito, e não apenas o dinheiro de André Puccinelli para viabilizar uma campanha, ou duas, pois tudo indica que essa barulheira não passa de estratégia para a cada vez mais difícil reeleição de deputado, Geraldo Resende teria de ter seguido o roteiro do Valdecir, que, quando percebeu que não teria apoio do mesmo Puccinelli, em 2008, trocou o PMDB pelo PDT. Até porque, trocar de partido, para ele, nunca foi problema, ficando a lição, também do Valdecir, de que apoio do governo do Estado, sem a mala preta, é importante, mas não é tudo.

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