Além das notícias do Brasil e do mundo, aqui compartilhadas, tudo sobre os bastidores da política em Dourados e no Mato Grosso do Sul, com textos inéditos em artigos, entrevistas e comentários de Valfrido Silva e colaboradores.
Um dos últimos caciques políticos dignos dessa alcunha, o ex-presidente José Sarney viu nos últimos anos seu grupo político perder força. Em 2014, desistiu de disputar o quarto mandato ao Senado, diante da dificuldade da eleição que se avizinhava e, desde então, muitos de seus aliados bandearam-se para o lado do governador Flávio Dino (PCdoB), seu principal adversário hoje no Maranhão. Ainda assim, Sarney conseguiu preservar a percepção pública de que não deve ser contrariado.
Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem de provar que é capaz de aglutinar o centro do espectro político e de 'transmitir uma mensagem' aos brasileiros para se viabilizar como candidato à Presidência. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, FHC também minimizou os reflexos na sociedade de uma eventual prisão do ex-presidente Lula. Segundo o tucano, o país não 'tremerá' caso a Justiça determine o início do cumprimento da pena a nove anos de prisão imposta em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro ao petista no caso do triplex do Guarujá (SP).
2018 começa com a expectativa do que vai acontecer com a candidatura do ex-juiz Odilon de Oliveira. Implacável com uma ala da bandidagem estadual, mas apoiado por poderosos contraventores, ele insiste em dizer que não quer em seu palanque ninguém com ligações com a Lava Jata, Lama Asfáltica e periféricos. O dono do partido em que ele se abrigou, o velho cacique João Leite Schmidt, quer porque quer um grande leque de alianças. É esperar pra ver até onde a corda aguenta.
Escolhida para conduzir a Procuradoria-Geral da República (PGR) sob intensa desconfiança, num momento em que o presidente Michel Temer mexia as peças no tabuleiro de forma a se livrar das investigações por corrupção, Raquel Dodge passou a contestar atos de governo que a indicou e fez andar medidas que atingiram o entorno mais próximo do chefe do Executivo, repleto de alvos da Lava-Jato.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a destinação prevista de R$ 99 milhões, em favor da Presidência da República, para a comunicação institucional do governo. Na Ação Direta de Insconstitucionalidade (ADI), Dodge argumenta que o governo não pode se valer de dinheiro público para convencer a população sobre uma 'proposta polêmica', como a reforma da Previdência. A procuradora pede que seja concedida uma liminar para suspender a destinação dos recursos para a comunicação institucional.
Especulando a possibilidade de Nelsinho Trad, candidato a senador, apoiar André Puccinelli para o governo, o Correio do Estado informa hoje, certinho, que ambos sempre estiveram juntos, lembrando a reciprocidade de apoios nas disputas da prefeitura da capital e do governo do Estado. Só faltou a observação da indisfarçada traição de 2014, quando Puccinelli soltou Trad ladeira abaixo, não apoiando declaradamente, mas torcendo uma barbaridade para Delcídio do Amaral.
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, declarou em entrevista ao ao Blog do jornalista Josias de Souza que se o TRF-4 confirmar a sentença em que Sergio Moro impôs nove anos e meio de cadeia a Lula, a prisão do ex-presidente petista 'é uma decorrência natural da condenação em segundo grau.' Ele acrescentou: 'Não vejo razão para distinguir entre Francisco e Chico. A lei vale para todos.'
Um dos mais habilidosos integrantes do staff do ‘felomenal’ prefeito Ari Artuzi, o ex-secretário de governo Darci Caldo está de volta aos bastidores políticos, agora como um dos estrategistas do time do pré-candidato a deputado estadual Jamilson Name. Não por coincidência que Neno Razuk perdeu um de seus coordenadores em Dourados, o ex-presidente da Câmara Júnior Teixeira (também do time uragânico) justamente para Name. Todos no palanque do imaculado Odilon de Oliveira.
Em meio à quase ruína institucional que acometeu o país depois das eleições de 2014, o ex-ministro do STF Ayres Britto mantém o otimismo e diz que a democracia brasileira está 'vencendo por pontos'. Uma referência no mundo jurídico, aos 75 anos, com sua fala sempre pausada e zelo extremo pela gramática – a ponto de, em certo momento desta entrevista ao Congresso em Foco, corrigir o som desarmonioso de um cacófato que lhe escapou.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos do decreto publicado pelo presidente Michel Temer com regras mais brandas para a concessão do indulto de Natal a presos condenados. A decisão foi tomada diante de um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentado à Corte na última quarta-feira contra a medida de Temer. A procuradora tinha pedido urgência da liminar e foi atendida pela ministra.
Juízes que conduzem os processos da Operação Lava Jato vêm usando com frequência uma doutrina jurídica estrangeira para fundamentar condenações pelo crime de lavagem de dinheiro nos casos em que as provas apresentadas contra os acusados parecem mais frágeis.
‘Quando você entra numa disputa não escolhe adversário. Isto é uma escolha da população, a gente sabe que política é isso’. Governador Reinaldo Azambuja, ao reiterar que a decisão de se recandidatar depende muito mais das medidas impopulares, mas necessárias para o saneamento do Estado, do que da cara feia dos adversários que, por ora, lideram as pesquisas. Palavras de quem sabe o que fala. Em 2014 Azambuja largou como azarão, atrás de Delcídio do Amaral e de Nelsinho Trad.
Governadores do Nordeste enviaram nesta quarta-feira (27) uma carta ao presidente Michel Temer em que ameaçam processar o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) e os agentes públicos envolvidos em práticas como a liberação de verbas em troca de apoio à reforma da Previdência. O texto assinado pelos oito governadores nordestinos –seis deles de partidos de oposição– pede que Temer 'reoriente seus auxiliares' com o objetivo de 'coibir práticas inconstitucionais e criminosas'.
As regras para a concessão do indulto natalino afrouxaram ao mesmo tempo que as investigações de corrupção atingiram os principais auxiliares do presidente Michel Temer. Por 15 anos, só foi colocado em liberdade pelo decreto presidencial quem tivesse cumprido um terço de uma pena máxima de 12 anos, no caso de crimes sem violência, onde se encaixa a corrupção e a lavagem de dinheiro. Em dois anos, esta tradição foi quebrada, levando o comando da Operação Lava-Jato a questionar a constitucionalidade da decisão do presidente.
Animado que só com o nunca antes tão fluente trânsito douradense, sob seu comando, o cantor Carlos Fábio já pensa transferir seu gabinete da sobreloja da rodoviária de Dourados para o Anexo IV da Câmara Federal em 2019. Ele entende que melhor que ninguém pode cantar o seu ‘Meu Mato Grosso do Sul’ da tribuna do Congresso para todo Brasil ouvir. Para isso, antes, formando dupla com Neno Razuk, que quer porque quer a cadeira que foi do pai, Roberto, na Assembleia Legislativa.
BRASÍLIA - Novo ministro da articulação política do governo, Carlos Marun admitiu, nesta terça-feira, que o governo está condicionando a liberação de financiamentos na Caixa Econômica Federal, pedidos por governadores, a apoios pela aprovação da reforma da Previdência. Marun negou que esteja chantageando governadores e chamou a ofensiva de 'ação de governo'.
Não se discute mais futebol nas unidades militares brasileiras. O tema do momento é a crise institucional – as denúncias contra políticos, o comportamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a corrupção entranhada nos três poderes da República. Há perplexidade e indignação entre oficiais, subalternos e soldados. Apesar disso e do clamor de setores reacionários mais radicais, é remota a possibilidade de uma intervenção fardada no país.
Com o encerramento dos mandatos de dois terços dos senadores, os principais caciques do Senado vão às urnas em 2018 em um cenário adverso: terão de explicar ao eleitor as acusações das quais são alvo, propor saídas para a crise política e enfrentar menor disponibilidade de recursos para financiamento de suas campanhas.
Responsável pela primeira condenação de um ex-presidente do Brasil por corrupção e pela prisão de políticos e empresários poderosos na Operação Lava-Jato, o juiz federal Sergio Moro está preocupado com a inércia do Executivo e do Legislativo no combate à corrupção. Ele aponta a possibilidade de mudança na jurisprudência que prevê o cumprimento de pena após condenação de segunda instância — o STF deve discutir se revê o entendimento nos próximos meses — como 'tremendo retrocesso'.