Além das notícias do Brasil e do mundo, aqui compartilhadas, tudo sobre os bastidores da política em Dourados e no Mato Grosso do Sul, com textos inéditos em artigos, entrevistas e comentários de Valfrido Silva e colaboradores.
BRASÍLIA — Em depoimento de mais de uma hora, Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, explicou aos procuradores como foi arquitetado o sistema do caixa dois da empresa para dificultar o rastreamento do dinheiro e organizar os pagamentos. O sistema teria sido montado em camadas, desde a captação do dinheiro até o seu envio ao destinatário, por meio de quatro níveis de contas em offshores. Apenas as contas de nível um eram associadas à construtora. As contas de níveis dois, três e quatro, também hospedadas em offshores, eram movimentadas por operadores, em geral doleiros, que ficavam responsáveis pelos pagamentos finais.
André Puccinelli não poderia ter sido mais infeliz em seu sagrado direito de resposta quanto às acusações do delator João Pacífico, de que teria embolsado R$ 2,3 milhões em propina da Odebrecht. Segundo o ex-governador tudo foi negociado com o acompanhamento da Procuradoria Geral do Estado. Ora... ora, para quem não se lembra, o PGE à época era Miguel Vieira, aquele, mesmo, acusado pelo ex-deputado Ary Rigo de embolsar R$ 300 mil de propina por mês, do mesmo Puccinelli.
O ex-executivo da Construtora Odebrecht, João Antônio Pacífico, revela, em delação premiada que o então governador André Puccinelli (PMDB) também foi beneficiado pelo departamento de propinas da empresa. Ele só aceitou pagar uma dívida do Estado com a empreiteira mediante o pagamento de 10% do valor como contribuição para a campanha a reeleição em 2010.
Mestre Aurélio define protagonismo como “a personagem principal de uma peça teatral, de um filme, de um romance”. No caso da política, “a pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento”. Muito bem. Aí vem um tucano decadente, como Valdenir Machado, mas soberbo como se ainda apitasse alguma coisa, afirmando que o PSDB não abre mão do protagonismo na terra de seu Marcelino, onde a prefeita é Délia Razuk, mas quem manda parece ser o demo Zé Teixeira.
BRASÍLIA - O presidente Michel Temer disse que 'jamais' fez pacto com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para blindar a classe política de investigações da Operação Lava-Jato. Em entrevista nesta segunda-feira, Temer afirmou que só tratou com os antecessores sobre a reforma política. O peemedebista voltou a defender a decisão de não afastar ministros alvos de inquérito, justificando-a como um 'vício' em cumprir a lei. Porém, acha que aqueles citados devem sair se 'ficarem desconfortáveis'.
17/04/2017 - 14h35A prefeita Délia Razuk recebeu no final da manhã desta segunda-feira a visita do deputado estadual Paulo Corrêa (PR), que anunciou emenda...
SÃO PAULO — Dos 98 investigados no Supremo Tribunal Federal (STF) a partir da colaboração premiada da Odebrecht, 67 (68,4%) são acusados de cometer crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, cujas penas, somadas, podem chegar a até 22 anos de prisão. Os 31 restantes são acusados de crimes de falsidade ideológica eleitoral — deixar de informar à Justiça sobre uma doação recebida, prática conhecida como caixa dois —, cuja pena máxima é de 5 anos de prisão.
Pesquisa do Instituto Ipems publicada hoje no Correio do Estado mostra o governo Reinaldo Azambuja com 70,97% (índices ótimo, bom e regular) de aprovação em 40 municípios de Mato Grosso do Sul. Não deixa de ser auspicioso, num momento em que a classe política brasileira cai pelas tabelas por conta dos escândalos de corrupção da Lava-Jato. Enquanto não aparece um Doria da vida Azambuja pode se dar ao direito de sonhar, já, com mais quatro anos no Parque dos Poderes.
Na semana seguinte à divulgação das delações premiadas da Odebrecht, que atingiram em cheio a cúpula do governo, o presidente Michel Temer terá nos próximos dias testes de fogo em relação a votações de reformas consideradas prioritárias. Para esta terça-feira (18/4), está prevista a apresentação para a base e a leitura do relatório da reforma da Previdência, da qual Temer recuou em cinco pontos para aprovar. Além disso, o governo tentará ainda garantir um pedido de urgência para a análise da reforma trabalhista e, mais uma vez, votar o projeto de renegociação da dívida dos estados.
O bordão do truculento capitão Nascimento, de Tropa de Elite, ecoa pelos corredores do galpão famoso da coronel Ponciano em forma de charadas ou transformando em joguetes fiéis aliados de campanha. Depois de Audrey Milan, na Educação, e de Racib Harb na Saúde, chegou a vez de Nicanor Coelho, na comunicação. Descartado já de início, para ceder lugar a adversário chapa-branca, começou a ser jogado de um lado para outro até que caiu a ficha e pediu à patroa para sair.
Assim como os petistas emblemáticos, tucanos de alta plumagem da terra de seu Marcelino devem estar analisando, também, a possibilidade de descer do muro, depois que Aécio Neves e José Serra foram flagrados na Lava-Jato. Tanto assim que nem o deputado Geraldo Resende nem o pop star Marçal Filho quiseram assumir a direção partidária em Dourados, deixando o desgaste para o decadente Valdenir Machado. Menos mal que para eles trocar de partido é o de menos.
'A Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento. O Judiciário está sendo preservado, como estratégia para não enfraquecer a investigação.' A previsão é de Eliana Calmon, ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, ex-corregedora nacional de Justiça. 'Muita coisa virá à tona', diz.
A derrocada de Lula e do PT em nível nacional deve obrigar algumas das mais emblemáticas e apaixonadas figuras do petismo douradense a repensar a vida. É o caso dos professores Laerte Tetila (e sua Zonir, suplente de Pedro Chaves), Wilson Biasotto e Elecir Ribeiro Arce; de Egon KKK, que sumiu numa dessas sinecuras federais e dos que restam com mandato – o deputado João Grandão e o vereador Elias Ishy. Além, claro, do sempre entusiasta porta-bandeira Luiz Seiji Tada.
Sob os escombros das delações da Odebrecht, o personagem regente de nossas transformações políticas por quase 40 anos submerge ferido de morte. Luiz Inácio Lula da Silva nunca mais será o mesmo. Talvez, um Silva. Ou um Luiz Inácio. Nunca mais um Lula. Aquele Lula, nunca mais. Acabou. É como o Edson sem o Pelé. Para o petista, as delações dos executivos da Odebrecht foram acachapantes.
Em mais de 300 gigabytes de arquivos em documentos e vídeos, o equivalente a 220 dias de áudio, ex-executivos da maior empreiteira do país, a Odebrecht, relatam detalhes sobre a forma como conseguiram comprar uma República. O esquema de corrupção e troca de favores entre empresários e políticos neste país é descrito desde o início da década de 1980 e atinge os principais atores dos três últimos governos, dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer. São envolvidas mais de 100 autoridades, de ao menos 15 partidos de diferentes linhas ideológicas.
Mesmo encrencados na Lava-Jato os deputados Zeca do PT e Vander Loubet não precisam se preocupar com a sobrevivência. Assim como o não menos encrencado Dagoberto Nogueira, que controla a Secretaria de Saúde de Dourados, os petistas também têm seus prepostos em posições estratégicas: Zeca comandando as secretarias e Assistência Social e de Agricultura de Délia Razuk, e Vander Loubet, não indo para a cadeia, podendo despachar no gabinete do companheiro George Takimoto, na Assembleia.
BRASÍLIA — A delação do ex-presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, Márcio Faria da Silva, aponta que o presidente Michel Temer comandou, em 15 de julho de 2010, uma reunião para sacramentar um acordo que previa o pagamento de cerca de US$ 40 milhões de propina ao PMDB em troca de contratos da Diretor Internacional da Petrobras. O presidente negou que tenha participado da negociação.
BRASÍLIA – A delação da Odebrecht atingiu os cinco ex-presidentes da República vivos: Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Fernando Collor (PTC) e José Sarney (PMDB). Apenas Collor tem direito ao foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF), onde foi aberto mais um inquérito contra ele. Como os outros não ocupam cargo público, o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin, determinou o envio de indícios contra os quatro a outras instâncias do Judiciário. A delação também atingiu 12 governadores – entre eles, o do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão.
Cartas fora do baralho por envolvimento em outras falcatruas, os deputados Zeca do PT e Vander Loubet aparecem agora também na lista Odebrecht. Titio Zeca, recém-condenado e com os direitos políticos suspensos por oito anos pela farra da publicidade de seu segundo governo. O sobrinho Vander, denunciado no STF por desvios de recursos da BR Distribuidora, há meses com a malinha pronta, aguardando um chamado do juiz Sérgio Moro para passar uma temporada em Curitiba.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin determinou a abertura de inquérito contra nove ministros do governo de Michel Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, segundo informação do jornal O Estado de S. Paulo.