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O escracho para camuflar os retornos

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26/03/2013 – 19h11

Era só o que faltava, o sempre hilário, mas as vezes cáustico, José Alberto Vasconcellos – iniciado escrevinhador sob o pseudônimo de Juca Paulista em nossa gloriosa Folha de Dourados, na década 1970 – pagar o pato pelo desfalque dos cofres públicos, em que pese as famosas aves de rapina do Erário (algumas ainda protegidas pela imunidade parlamentar, outras já cassadas pelo eleitor) estar na alça de mira da Justiça. E tudo pelo jeito irreverente de ser e de escrever de Vasco, que não só em suas crônicas semanais, que já renderam duas coletâneas (a última delas com o sugestivo nome de “Fadas, raposas e lobisomem”), como no seu dia a dia, sempre encontra um jeito de espinafrar a turma dos retornos, como fez numa recente confraternização em seu sítio, no Potreirito, o que acabou rendendo sua exposição na mídia esta semana ao lado de acusados de desvio de cerca de R$ 14 milhões de obras do DNIT na região de Dourados.

Por enquanto levando na maciota o vazamento da pilhéria que fez com seus convidados, a propósito da presença, entre eles, do até então insuspeito superintendente do DNIT Carlos Milhorim, Vasconcellos atribui seu “envolvimento” nesta lambança à má fé de quem vasculhou os arquivos do órgão federal, em cujas gavetas foi encontrado um álbum pessoal do funcionário que fez as fotos. A menos, segundo ele, que estejam querendo desviar a atenção para proteger alguém. E, com seu habitual bom humor, informa que dependendo da proporção que a coisa ganhar vai contratar um advogado “altamente gabaritado” para entrar com uma ação que possa lhe render uns troquinhos para voltar ao “Norte América”, como ele se refere aos Estados Unidos. Por suas contas, pelo menos o equivalente, em reais, ao que está em dólares na placa de inauguração da “obra” de dois metros de calçada, com uma lâmpada, de sua churrasqueira, “com financiamento do BNDES”. Conforme o Midiamax, que divulgou as fotos de Vasco e seus amigos que não têm nada a ver com as falcatruas do DNIT, o Ministério Público e a Polícia Federal entenderam que o “menosprezo pela correta aplicação do dinheiro dos contribuintes induzia até a piada com o crime”.

Piada maior – e os agentes federais nem precisariam seguir a lógica dedutiva do famoso detetive da literatura britânica Scherlock Holms – seria todo este escândalo parar na raia não tão miúda, mas restrita a funcionários de um dos órgãos federais mais suscetíveis à corrupção, a pequenos empresários e laranjas do sistema, quando até o padre de Caarapó sabe que o buraco é mais embaixo (ou seria mais em cima?). Nem a lupa da Antônio Tonanni seria necessária, para o caso de uma investigação mais minuciosa, já que além do farto material propagandístico pago também com o dinheiro público na imprensa subordinada, estão indeléveis na memória do contribuinte as imagens de outdoors e vídeos institucionais com a briga pela paternidade das obras dos tão lucrativos retornos.

A menos que a quebradeira de Marcelo Miranda, tido como o chefe da quadrilha agora denunciada, tenha sito tão grande assim, a ponto de querer abocanhar sozinho os R$ 14 milhões desviados do fajuto recapeamento nas BRs 163 e 267. Será que antes do carginho subalterno de diretor do DNIT, quando foi prefeito de Campo Grande, governador do Estado duas vezes e senador da República não havia esse negocio de retorno?

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O mestre-cuca Vasconcelos e o churrasqueiro Braum, inauguram

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