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Para articulista, Lula e o PT se calam diante do escândalo de corrupção

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09/04/2013 – 09h27

Lula e seu Partido dos Trabalhadores (PT) escolheram o silêncio como resposta à decisão da Procuradoria-Geral da República do Distrito Federal que, na noite da última sexta-feira, pediu que a Polícia Federal abrisse uma investigação sobre uma suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no escândalo do chamado mensalão.

As supostas acusações de corrupção foram feitas contra o ex-presidente pelo empresário Marcos Valério, condenado a 40 anos de prisão como organizador da rede do chamado “mensalão”. Trata-se da primeira vez em que Lula entra oficialmente na trama do escândalo político que manchou seu primeiro governo e do qual até agora havia sido sempre considerado inocente, e do qual sempre se declarou alheio e traído por seus companheiros. Diante da notícia, divulgada na noite de sexta-feira por toda a mídia, Lula e o PT preferiram o silêncio. Pelo menos até agora.

Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, limitou-se a emitir naquela noite um lacônico comunicado sobre a decisão da Procuradoria: “Não existem novas informações em relação às que já foram publicadas há cinco meses pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo'”.

Depois, nada. Inclusive por parte dos meios de comunicação que, de alguma forma, respeitaram o silêncio do popular ex-presidente Lula.

Posição semelhante assumiu o PT, sem dúvida a pedido do próprio Lula.

Em setembro passado, Valério, que durante o longo processo do mensalão afirmou que Lula não havia participado do esquema de corrupção, fez novas revelações ao procurador-geral Roberto Gurgel, que acabaram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Naquela ocasião, Valério acusou Lula pela primeira vez de ter participado pessoalmente do esquema de corrupção.

Acusou-o de ter sido o mediador de uma transferência de R$ 7 milhões realizada por um provedor da Portugal Telecom em Macau, na China para o Partido dos Trabalhadores. Esse dinheiro havia servido supostamente para pagar as dívidas do partido do ex-presidente contraídas na campanha presidencial que lhe deu a vitória em 2002.

Gurgel preferiu esperar que acabasse o processo do Supremo em curso naquele momento para entregar as novas acusações de Valério aos promotores.

Nessa ocasião, o procurador-geral não deu crédito excessivo às novas acusações de Valério, que estaria, com isso, tentando conseguir uma diminuição da dura pena de 40 anos, beneficiando-se da chamada Lei de “delação premiada”, que concede uma redução de penas aos que revelarem informações importantes sobre algum acusado.

Concluído o processo do mensalão, Gurgel limitou-se a passar à Procuradoria de Brasília as 14 páginas do depoimento de Valério contra Lula.

Depois de examinar as denúncias, os promotores decidiram pedir que a Polícia Federal abrisse uma investigação formal, que não foi feita em caráter de urgência. Agora cabe à polícia decidir se as acusações do empresário da publicidade têm ou não fundamento.

Quando vazaram para a imprensa as supostas denúncias de Valério contra Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, havia sido explícito: “Em Lula não se toca”. E ameaçou colocar na rua a militância do partido e os movimentos sociais para defendê-lo do que o PT considerava uma manobra da oposição para prejudicar a imagem do ex-presidente.

No entanto, diante da abertura oficial da investigação policial solicitada pelos promotores, tanto Lula como o PT preferiram a via do silêncio.

Os analistas políticos deram duas explicações para isso: ou Lula está certo de que a polícia arquivará as denúncias por falta de provas, ou preferiu respeitar a decisão dos promotores sem que uma mobilização de rua a seu favor pudesse parecer uma contestação aberta à decisão dos promotores.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, anunciou exatamente para esta semana a publicação do chamado “acórdão”, isto é, um resumo das decisões do Supremo, contidas em milhares de páginas, sobre as 25 condenações e 12 absolvições dos 37 réus do mensalão. A partir dessa data, os advogados de defesa terão cinco dias para fazer suas petições sobre possíveis retificações nas sentenças.

Julgadas as petições dos advogados pelo Supremo, os condenados serão presos e começarão a pagar as multas a que muitos deles foram condenados. E isso poderia ocorrer, ao que parece, não antes do início de julho.

Ainda existe a esperança de Lula e de seu partido de que os juízes do Supremo possam, a pedido dos advogados, diminuir os anos de prisão atribuídos aos quatro altos dirigentes do PT, sobretudo o ex-ministro e braço-direito de Lula, José Dirceu. Ele foi condenado a dez anos de prisão como mentor do esquema e sempre se declarou inocente e ameaçou recorrer a um tribunal internacional para demonstrar que foi julgado e condenado com o que ele sempre chamou de “julgamento político, sem provas”.

Mobilizar a rua em defesa de Lula neste momento não teria ajudado certamente os dirigentes do PT condenados pelo Supremo.

Daí talvez o inteligente silêncio de Lula e do PT diante da decisão da Procuradoria de abrir uma investigação sobre a suposta participação do ex-presidente no esquema do mensalão.

Juan Arias/El País – Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (esquerda) fala a militantes no Diretório Nacional do PT, ao lado de Rui Falcão, presidente da sigla, e da senadora Ana Júlia (PT-PA)

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