15/04/2013 – 17h08
Pode ser apenas um grão de areia no mar de especulações das relações entre Lula da Silva e a sucessora Dilma Rousseff, mas não deixa de ser intrigante o pedido de concordata da Usina São Fernando, em Dourados, já que até para o mais simples operador de reservatório de vinhaça da região do córrego Curral de Arame não é segredo que o mais empreendedor dos filhos do ex-presidente, o Lulinha, está por trás do negócio que agora pode ir à bancarrota. Senão por isso, pelo fim da mamata do grupo comandado por José Carlos Bumlai – o único brasileiro, exceto ministros mais íntimos, que tinha crachá de acesso direto ao gabinete presidencial na era Lula, e não apenas porque era o fornecedor exclusivo de picanhas maturadas de seus bois de brinquinho para os churrascos na Granja do Torto em Brasília.
Muito mais que o indiciamento (também na semana passada) pela Polícia Federal como chefe do mensalão – afinal, Lula alegará que não sabia de nada e ficará o dito (por Marcos Valério) pelo não dito – a concordata pode significar, sim, o início do inferno astral do ex-presidente, na medida em que exige resultados de pelo menos um dos empreendimentos tidos como do filho empreendedor. Ou seja, a determinação de alguém que não deve ser nenhum segundo escalão dos bancos oficiais pode significar, no mínimo, o fim da mordomia dos financiamentos com taxas especiais e prazo a perder de vista, razão de ser, pelo que se pode deduzir, de tanto empreenderorismo. A menos que Dilma Rousseff tenha herdado o mau costume de Lula de não saber de nada no tocante às questões financeiras envolvendo aliados no ou do governo, neste caso, continuando amiguinhos.
Como ficou provado, depois do Workshop CanaMix Agroindustrial, na semana passada, que Dourados é a nova fronteira da cana-de-açúcar no Brasil, a entrada em “recuperação judicial” da São Fernando só pode ser resultado de má gestão, como consequência, óbvia, dessa mania da companheirada petista de achar natural e que nunca dá em nada a promíscua mistura do público com o privado.
Tanto que sob os auspícios do governo Lula a fumaça das chaminés da Usina dos Bumlai saia branquinha, branquinha; nem o cheiro do vinhoto chegando a incomodar os douradenses. Até então, o retorno do grosso do faturamento – coisa aí de R$ 360 milhões/safra – a metade proveniente de vendas externas, vinha direto para o caixa da Usina, sem que os gerentes dos bancos financiadores se dessem conta. Foi no governo Dilma – sabe-se lá por ordem de quem – quando começaram a reter essa grana como forma de pagamento dos financiamentos, que a fumaça começou a ficar preta.
Menos mal para Dourados que a concordata afasta, pelo menos por enquanto, o perigo de paralisação das operações, o que geraria uma crise social sem precedentes. Com a gestão entregue, por determinação judicial, a uma empresa de consultoria e perícia externas e, com a constituição de um Comitê de Credores, as esperança é que coisas se normalizem, com produtores, fornecedores e funcionários podendo respirar mais aliviados, já que não só os bancos oficiais vão ficar com os lucros, principalmente os das exportações de açúcar e da produção de energia.
Quanto à questão política, Lula que se entenda com Dilma, para evitar situações como a provocada pelo saudosismo dos tempos em que ele tomava cachaça com a companheirada petista no bar do Tinguá, no Jardim Água, o que pode ter feito o depois presidente confundir usina de produção álcool anidro com alambique da cachaça que em seu governo se transformou, oficialmente, em produto genuinamente brasileiro.
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