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Chame, chame o Rondon, chame o Rondon!

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18/04/2013 – 17h21

Havia guardado a foto que ilustra este post para comentar – em Das Antigas, aqui no Blog – a controversa questão da desapropriação do Panambizinho, mas mudei de ideia depois da “aula” a respeito da questão indigenista dada pelo ainda “demo” Zé Teixeira durante a sessão de ontem da Assembleia Legislativa. E foi melhor assim, já que o deputado douradense culpou Pedro Álvares Cabral por toda a desgraceira decorrente das invasões indígenas à propriedades rurais, livrando-me de uma possível injustiça contra o imaculado presidente Vargas, já que pretendia analisar a questão a partir da implantação da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, por ele implantada para ocupar as terras arrendadas pelo governo do então Mato Grosso à Mate Laranjeira, mas que só cinquenta anos depois o desinformado governo FHC descobriria pertencer (pelo menos parte delas) aos índios.

Contestando o relatório de uma comissão de deputados e senadores recentemente enviada ao Mato Grosso do Sul para tratar da intrincada questão e que esta semana motivou a invasão do plenário do Congresso por índios, Zé Teixeira colocou os pingos nos is, acabando com essa controvérsia de terra imemorial. Para ele, índios perderam o direito sobre as ditas terras brasilis ao não registrá-las em cartório quando da chegada da esquadra de Cabral. Na ausência de Laerte Tetila, especialista no assunto e incansável defensor da causa, a profundidade do longo pronunciamento provocou vários apartes, como o do colega petista cabo Almi, com a pueril constatação de que se só havia índios quando da chegada dos portugueses, com ou sem registro em cartório eles são os legítimos proprietários deste mundão de terra. Ou, não menos pior, o novato Lídio Lopes, de Iguatemi, advertindo bastar o sepultamento de um índio em qualquer cemitério urbano para o município se tornar alvo de desapropriação para fins destes tão traumáticos retornos.

Paradoxalmente, a maior parte do pronunciamento-aula do deputado que agora sonha ser vice-governador do petista Delcídio do Amaral foi ocupada para espinafrar o clã nordestino dos Sarney. Ensinando que o problema só se resolverá pela via jurídica, e não política, Zé Teixeira disse que quem não deu conta de acabar com as mazelas do Maranhão e do Amapá (base política deles, sem contar o período em que o Sarney pai mandou também no Brasil), não tem competência para ditar ordens por aqui.

Diante de tão exacerbada preocupação protecionista e preservacionista do fazendeiro Zé Teixeira fiquei imaginando as cambalhotas de Marçal Tupã-Y de Souza em sua catacumba. Ou, tendo seu espírito chegado (pelo tanto que exploraram sua partida) ao Paraíso, diante da transmissão da TV Assembleia, os protestos, em companhia de sua eterna madrinha, dona Loide Andrade e seu reverendo Orlando, quiçá até sobrando algum lugar no sofá celestial para os irmãos Orlando e Cláudio Vilas Bôas e, como a questão envolvia as terras desapropriadas pelo finado Getúlio, com a presença de um boquiaberto Darci Ribeiro.

Ah… ia me esquecendo do mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon, outro que não entendia nada de índio. Como se trata de um imbróglio que parece não ter fim e, pela quase inevitável associação de política com essa coisa de retorno, nada melhor que um marechal do exército para resolver a parada. Daí o sentido da coisa, no título deste post, inspirado no pesadelo de Chico Buarque de Holanda com a polícia em seu portão, mandando: chame, chame o ladrão, chame o ladrão!

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Em 1995, em Dourados, o ministro da Justiça, Nelson Jobim (centro) e o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro (esquerda), na famosa

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