08/05/2013 – 15h53
Em entrevista ao Diário-MS de hoje o corumbaense dado à manezinho Delcídio do Amaral “garante” que será candidato ao Governo do Mato Grosso do Sul nas eleições do ano que vem, embora não concordando com a antecipação da discussão do tema, por entender que “esse adiantamento não constrói”. Talvez por isso, segundo o jornal dos Barbara, o senador tenha passado rapidamente por Dourados, mantendo contato apenas com os políticos que foram atraídos para o evento do qual participou na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados). Arrogância pouca é bobagem, mas sem surpresas, tratando-se do bom vivant senador acostumados às águas espraiadas de Santa Catarina. Arrogância, aliás, bem própria de companheiros petistas como os do mensalão, que, com medo do xilindró, são capazes até de rasgar a Constituição e ameaçar ministros do STF de prisão, como acaba fazer o Nazareno, aquele, lá do Piauí.
Embora cogitado como provável candidato petista e, como escrevo sempre aqui, até que se desencave a Uragano um dos favoritos no pleito de 2014, Delcídio do Amaral não tem nenhuma garantia de que será o ungido, até porque não se trata de candidatura nata, havendo, necessariamente, a obrigatoriedade de seu nome ser referendado por uma convenção estadual. Convenção, diga-se, de um partido que está rachado e cuja banda opositora é comandada por ninguém mais ninguém menos que Zeca do PT, ex-governador do Estado amigo do peito de Luiz Ignácio, o Lula Silva, que teve altos interesses prejudicados pela atuação (para os holofotes) do mesmo Delcídio do Amaral na CPI dos Correios, onde estourou a bomba do mensalão.
Ou Delcídio se faz de bobo ou está muito por fora do que acontece nas hostes do próprio partido, para dizer que “o PT chegará unido nas eleições”, mesmo sabendo tratar-se da sempre encarniçada disputa interna entre as facções petistas. Fala em “ideal comum”, como se ignorasse que nos bastidores Zé Orcírio cabala votos para controlar o diretório, hoje nas mãos de seus correligionários, e não escondendo o desejo não só de defenestrar o time do senador do comando partidário como abortar sua eventual candidatura. “Primeiro a gente ganha o diretório, depois corre com esse pantaneiro de araque”, tem dito Zeca no intramuros com a companheirada.
Não que tenha falhado o feeling do veterano Wanderley Aguiar, neste seu retorno triunfal ao jornalismo impresso, mas, evidentemente, pelas circunstâncias editoriais da dita imprensa subordinada, excepcionalmente o Diário, impedido de entrar no âmago da questão, faltou questionar o senador (a propósito da chegada da hora H para os mensaleiros) a respeito de sua expectativa quanto à Uragano, diante das evidências processuais de que se a Justiça for mais fundo na questão também sobra para ele, daí sua torcida – a esta altura do campeonato já um tormento – para que tudo acabe o mais rápido possível e o assunto esteja devidamente sepultado quando chegar a eleição. E nem seria o caso de acusar o repórter de estar sendo capcioso, diante do gancho da reinserção do processo que levou o amigo e parceiro do senador, o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi, à cadeia e à renúncia pela sede com que foi ao pote dos retornos.
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