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Delcídio põe Murilo contra a parede

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27/05/2013 – 09h44

Entre companheiros, como fez em recente cerimônia na Escola Naval de Corumbá, Delcídio do Amaral jura que não vai mover uma palha para liberar os tão sonhados 52 milhões de reais pleiteados pela prefeitura de Dourados e que dependem de aprovação do Senado. E ainda faz pouco caso de Murilo Zauith, sugerindo que se o prefeito quiser pôr a mão nessa dinheirama toda “que passe a sacolinha entre o Moka e Figueiró”, numa referência aos outros dois senadores do Estado. Quando é obrigado a retornar, ops!, a Dourados, por interesses meramente eleitoreiros, como fez neste final de semana, a conversa é outra. Aliás, de uma ironia sem fim, a se levar em conta o texto distribuído pela assessoria da prefeitura, segundo o qual “Delcídio perguntou ao prefeito sobre o atendimento que Dourados recebe na Câmara e no Senado”, como se ele fosse um estranho no ninho do parlamento.

Tudo conversa pra boi dormir, como diria o deputado Zé Teixeira, que, sonhando em ser candidato a vice-governador numa eventual chapa petista, foi a grande novidade na comitiva de Delcídio durante a visita nitidamente de intimidação ao gabinete do prefeito douradense. E tudo fazendo sentido diante das declarações de Zauith ao Douranews de Clóvis de Oliveira, transcritas aqui no Blog: “ele [Delcídio] pode até ser o próximo governador, mas tem que vir conversar com Dourados”.

Mas, diante da estratégia da presidente Dilma Rousseff de rifar a candidatura petista em Mato Grosso do Sul em troca da desestabilização do projeto presidencial de Eduardo Campos, governador pernambucano e presidente do partido de Murilo Zauith, pode até ser que a visita tenha tido objetivos meramente burocráticos. E pragmáticos. O que ficou claro, aliás, pelas companhias do senador – o sempre desesperado por um “retornozinho” das máfias do asfalto, Vander Loubet, e aquele que pela facilidade com que libera recursos federais, seu colega petista Antônio Carlos Biffi, já ficou conhecido como o principezinho dos prefeitos. E o cafezinho no gabinete do prefeito, neste caso, não passando de disfarce para encontros mais produtivos com empreiteiros e, talvez, até com Jorge Hamilton Torraca, o engenheiro do quadro efetivo da prefeitura que segundo o ex-prefeito Ari Valdecir Artuzi é o mais habilidoso para lidar com a burocracia brasiliense na hora da liberação de recursos. Isto, apesar da indiscrição de Torraquinha quanto aos percentuais de retorno da bancada federal, o que comprova que o cabra é bom mesmo no que faz.

Menos mal para Dourados, já que segundo a inconfidência de Torraquinha no processo da Uragano Delcídio do Amaral é o menos afoito nessa questão de retornos. Pelo menos, quando se trata de obrinhas, como a do Pavilhão de Eventos Dom Theodardo Leitz e a do Centro de Convenções, aliás, inacabada justamente por desentendimentos com empreiteiras nessa questão aí dos famigerados retornos. O problema, no entendimento de quem mais entende desse assunto, o Valdecir, é se esses percentuais chegarem aos patamares cobrados por alguns deputados, como os por ele citados numa gravação ainda não incluída no processo que o levou à cadeia e à renúncia e que pode fazer mudar todos os prognósticos em relação a 2014.

Enquanto isso, por retorno ou pela sucessão do governador André Puccinelli, o prefeito Murilo Zauith fica cada vez mais contra a parede.

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Da esquerda para a direita: o chefe do tesouro municipal, Waltinho Carneiro; o preposto de Delcídio e Vander na prefeitura, Landmark Rios; Zé Teixeira, Biffi, Vander, Delcídio e Murilo - foto: Facebook do senador

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