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Para advogado que “derrubou” o Midiamax Uragano é só a ponta do iceberg

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01/06/2013 – 16h37

Por ironia, como que a jogar por terra as pretensões da Polícia Federal ao denominar de Owari (ponto final, em japonês) a operação que, na verdade, seria o começo do processo de desmantelamento de quadrilhas que assaltavam os cofres de importantes prefeituras do Mato Grosso do Sul, como Dourados e Ponta Porã, a que viria a seguir, da mesma PF e de nome não menos criativo e sugestivo – a Uragano (furacão em italiano) –, pode não ter passado de uma brisa prenunciando a primavera não tão dourada de 2010, perto do que estaria para acontecer, ainda, como resultado de seu próprio rescaldo. Isto, pelo menos, no que depender da determinação litigante de Luiz Eduardo Auricchio Bottura, o advogado e engenheiro que semana passada tirou do ar o Midiamax, órgão oficioso do PT e, mais recentemente, de Alcides Bernal, o que, num efeito dominó, ele garante, pode acabar “derrubando” até o Google, caso o oráculo da modernidade insista em dar guarida a sites que teimem contar sua controvertida história.

O exercício de futurologia de Eduardo Bottura foi feito ao Blog durante café da manhã numa movimentada padaria, em sua passagem por Dourados no feriado de Corpus Christi. Sem se importar com ouvidos mais que atentos e línguas mais que ferinas de observadores da política estadual em mesas ao lado, Bottura girou sua metralhadora na direção de tudo e de todos. Começando por deputado Londres Machado, não só por ter sido por ele considerado um “gênio do mal” como pelas denúncias envolvendo o mais longevo dos parlamentares com mandatos do Brasil nos cambiocós que fazia na Assembleia Legislativa com Ary Rigo – por isso mesmo –, personagem central da Uragano.

A deferência do café da manhã foi como um desagravo, pelo único post que levou a Justiça estadual a censurar este blog, no auge da mesma Uragano, quando aqui publicado que Londres e Rigo poderiam ir parar no xilindró em decorrência da devassa do Conselho Nacional de Justiça nas contas da Assembleia o que, mais tarde, acabou não acontecendo pelo “compadrio” (aqui também denunciado) entre os poderes legislativo e judiciário do Estado. Nisto, o empresário que ao tirar o Midiamax do ar diz ter apenas prestado uma homenagem à liberdade de imprensa, discorda do blog: “aquilo não é compadrio, é sociedade”.

Eduardo Bottura ficou famoso por entupir os escaninhos do judiciário brasileiro com processos decorrentes de uma demanda judicial na vara de família, em Anaurilândia, cidade que sonhava transformar na “Bentonville brasileira” da área de internet, depois de conhecer, no Arkansas (EUA), a sede da Wal-Mart, uma das maiores empresas do mundo. De Anaurilândia para o Tocantins, onde diz ter consolidado sua fortuna não só com internet, mas também com gado e negócios imobiliários, e, em seu retorno, para o pesadelo de uma prisão considerada “sequestro”, sua saga desemboca no que ele chama um “Projeto MS”. Como suas escaramuças com o judiciário coincidiram com o envolvimento de magistrados e políticos na Uragano pretende aproveitar os espaços que acredita ganhar na mídia, como indenização, para se lançar, também, na política.

A esperança de Bottura vem da experiência desta sua “infiltração” no Judiciário, principalmente no Conselho Nacional de Justiça. Ele acredita que o destino da maioria dos atuais chefes políticos do Estado não é muito diferente do da turma do mensalão. A Uragano, para ele, é só a ponta do iceberg no mar de corrupção no Estado. Além do Judiciário, colocado sob suspeição em decorrência disso, diz que “daquela Assembleia não sobra ninguém, a mesma coisa os federais, deputados e senadores”, fazendo uma ressalva a Delcídio do Amaral, segundo ele “melhorzinho, mesmo tendo um olho só, em terra de cegos; os outros só aparecendo no CQC”. Por tudo isso, ele já providenciou a transferência de seu domicílio eleitoral de São Paulo para Campo Grande. Quer começar pela Câmara Federal. O partido, o DEM, do amigo Júlio Campos, cacique da política do Mato Grosso. E, dependendo da celeridade da justiça, o governo do Estado, por que não? Ele tem só 35 anos.

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Para advogado que “derrubou” o Midiamax <b><i>Uragano</i></b> é só a ponta do <b><i>iceberg</i></b>

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