20/06/2013 – 07h21
Hoje tem gente na praça. A praça é do povo, o céu é do avião. Na praça, telefones celulares, smartphones, tablets auxiliarão jovens e adultos a narrarem por que foram e o que os motivou.
Dizem também que o protesto é pelo direito de protestar. Para anunciar a adesão campo-grandense ao movimento nacional não foi preciso reunião secreta, conspiração, escolha de comando. Uma página no Facebook ganhou milhares de adesões. Nem foi preciso o uso de megafone, portanto, livramo-nos da poluição sonora.
Sinal dos tempos: grandes jornais nunca abriram tanto espaço ao leitor. Diversas mensagens postadas no twitter e no Facebook contrariam, inclusive, postura e interesses das empresas jornalísticas. O Jornal de Brasília encaminhou ao Governo do Distrito Federal reivindicações de jovens da Capital do País. Não houve resposta, conforme relata na edição de ontem.
Em 1964 a comunicação era muitas vezes sofrível. Ainda não havia discagem direta a distância da antiga Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) e todas as ligações passavam por telefonistas. Quartéis do Exército usavam com eficácia aparelhos de telégrafo, rádio e radioamador.
Um pouco de história: a Revolução de 1964, também conhecida por Golpe Militar, é a somatória de eventos ocorridos em 31 de março daquele ano no Brasil. Em 1º de abril, o golpe de Estado encerrou o governo do presidente João Belchior Marques Goulart, Jango.
Esse presidente gaúcho fora democraticamente eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na mesma eleição que conduziu o mato-grossense Jânio da Silva Quadros (PTN)à Presidência, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN). Jânio renunciara sete meses depois da posse, no Palácio da Planalto.
O golpe estabeleceu um regime alinhado politicamente aos Estados Unidos, provocando modificações na organização política do País, bem como na vida econômica e social.
Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista de Oliveira Figueiredo – os cinco presidentes militares que se sucederam, desde então declararam-se “herdeiros e continuadores da Revolução de 1964”.
O regime militar durou até 1985.
Uma visita ao Google, aos arquivos de jornais, às imagens de arquivo nas TVs permite conhecer fatos ocorridos pós-64. A concentração de pessoas sobre o teto do prédio do Congresso Nacional, por ocasião das Diretas já (campanha pelo restabelecimento de eleições diretas no País) exemplo, reuniu mais gente do que a ocupação ocorrida segunda-feira.
Agora, vemos concentrações populares ao vivo, pela cobertura da TV, pelo celular, e pela avalanche de mensagens com fotos em redes sociais.
Se, em 1964, militares dispusessem desse meio, o cerco aos governos e a caça às pessoas resistentes ao movimento revolucionário se dariam em questão de minutos. No entanto, demoraram horas, na manhã do dia 31 de março de 1964, os telefonemas do general Olímpio Mourão Filho, para todo o Brasil, dizendo: “Minhas tropas estão na rua!”.
O general queria ocupar a antiga Guanabara (Rio de Janeiro) e precisava de reforço de tropas organizadas por dois outros regimentos vindos de Belo Horizonte e São João del-Rei.
Fosse hoje, com adesão “feicebuquiana” e “tuiteira”, tão rápida quanto raio, cada tropa se movimentaria no seu quadrado. Talvez até tivesse derramamento de sangue. Imaginemos se o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola, em vez de esgoelar ao microfone, utilizasse redes sociais ao se entrincheirar no Palácio Piratini, criando a “cadeia da legalidade”, pelas ondas da Rádio Guaíba.
Rádio mais redes sociais: no que isso resultaria?

