18.8 C
Dourados
quarta-feira, julho 1, 2026

Pra não dizer que não falei do Frazão

- Publicidade -

21/06/2013 – 10h47

Em meio ao turbilhão das vozes já não mais tão roucas das ruas não só Brasil afora como também despertando solidariedade e preocupação internacional, um jatinho da FAB decolava na calada da noite do aeroporto de Campo Grande. A bordo, um brasileiro privilegiado. Baleado na coluna durante “enfrentamento” de invasão de terras produtivas em Sidrolândia e correndo o risco de sérias sequelas, o índio Josiel Gabriel Alves, 24 anos, mereceu tratamento vip do governo (que dias antes havia lotado dois cargueiros Hércules da mesma FAB para trazer até Brasília índios também querendo terras do Norte do País para uma prosa com o ministro Gilberto Carvalho) petista Dilma Rousseff sendo internado num dos hospitais da conceituada Rede Sarah, na capital da República. Enquanto isso, em Dourados, as lágrimas insistiam em verter dos olhos desesperançados do conselheiro tutelar aposentado João Frazão, pai de um brasileiro não tão privilegiado, Jean Michel Aguero Frazão, 26 anos, morto com traumatismo craniano no corredor da morte do Hospital da Vida por falta de vaga numa UTI. Irônico detalhe: o jovem Jean Frazão era funcionário do Hospital Universitário, da UFGD, uma dos jóias do governo petista no Centro Oeste Brasileiro, que lhe negou vaga. Claro, ele não era índio.

De tudo o que fui obrigado a assistir na televisão nesses dias de convalescença, esta parece ser uma das melhores – senão a melhor – situações para justificar a indignação da massa enraivecida que por pouco não ateou fogo ao Palácio do Itamaraty, ontem, em Brasília, só não subindo a rampa do Palácio do Planalto porque, como muito bem colocou Eliana Cantanhêde em seu comentário nesta sexta-feira, na Folha de S. Paulo, “as tropas fiéis à presidente Dilma Rousseff tiveram de montar duas trincheiras: uma de defesa do Planalto, fisicamente; outra da própria presidente, politicamente”. Linguagem beligerante, como se vê, para o clima de guerra que se instalou no país dos retornos do mensalão. E a Rede Globo, sempre ela, glamourizando o movimento, como também muito bem colocado por Luiz Rogério de Sá, do lado de cá da barranca do Paranazão, em sua página no Facebook. Nessas horas, aliás, chegam ser cômicos, pra não dizer revoltantes, a miopia e o lerdo raciocínio matemático do âncora Willian Bonner e seus comandados, diante da realidade das potentes objetivas da vênus platinada. Enquanto Marcelo Rezende se esgoelava na Record para que seu “lente lenta” abrisse a câmara para mostrar o que calculava em cerca de um milhão de pessoas na avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, os cinegrafistas globais com suas câmeras fechadas em “pequenos grupos” de “baderneiros” destoando de uma “multidão” por eles calculada em trezentas mil pessoas.

Como não pude assistir a manifestação passando ontem diante do monumento de Antônio João Ribeiro (nosso herói da guerra com o Paraguai em vias de ser cassado pelos “historiadores” liderados de Nicanor Coelho), não deu pra saber se alguém se lembrou de Jean Frazão. Nada, pelo menos nas postagens que apareceram até agora. Até porque, pelo que deu pra perceber, os manifestantes da noite passada, na terra de seu Marcelino, não eram os mesmos das Diretas-já ou do impeachment de Collor de Melo. Parecia até uma turminha mais aprumada, gente que mora “da Marcelino pra cima”. Alguns, até, e dos mais assanhados, useiros e vezeiros das práticas por outros tão veementemente combatidas em outras praças, como as do Rio e de Porto Alegre, tanto que colocados pra correr por tropas de cavalaria depois de sufocados com bombas de efeito moral, como pimenta e gás lacrimogêneo.

Menos mal, para o Mato Grosso do Sul, especialmente para Dourados, no momento em que, para tentar acalmar os ânimos, a presidente Dilma Rousseff cogita jogar Guido Mantega às feras, que o ex-governador Zeca do PT, amigo do peito e companheiro de biritas de Luiz Inácio – o Lula da Silva –, que é quem manda nesta joça, tem a chance de emplacar seu ex-chefe da Casa Civil, o douradense Raufi Marques, como Ministro da Fazenda, para a travessia desta turbulência. Sim, porque depois da defesa, com números pra lá de convincentes, que Raufi vem fezendo nas redes sociais do paraíso em se transformou o Brasil nestes dez anos de governo petista, ninguém melhor que ele para o lugar de Mantega. Só não falou dos números do mensalão, mas isso é fichinha, nada que o companheiro Zé Dirceu não dê um jeito. Ainda mais assim, livre, leve e solto, para sempre, como, em meio a este turbilhão, acreditem, acaba de assegurar o companheiro-deputado Biffi.

Ao desafortunado João Frazão resta o consolo de ser amigo do provável iminente ministro Raufi Marques.

←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

Índio baleado embarcando num jatinho da FAB, em Campo Grande - foto: TV Morena

Jean Frazão - foto: Álbum de família

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-