03/07/2013 – 10h21
Quando o vereador Elias Ishy imagina estar plantando a semente de uma nova variedade de milho projetando a colheita de pelo menos um milhão de espigas na eleição em que pretende disputar a cadeira hoje ocupada por Murilo Zauith no barracão dos altos da Coronel Ponciano, a turma dos retornos, no mínimo, já deve estar maquinando como plagiar a nova moda – de garantia estendida – do comércio, aproveitando a deixa para aumentar o percentual de seus lucros. Afinal, 2014 está aí e, independentemente dos rumos das reformas políticas atabalhoadamente sugeridas pelo Planalto em conseqüência das manifestações das ruas, as eleições, ainda mais depois dessa desgraceira toda, devem ficar ainda mais caras para os que já estão no trecho.
Pela pueril proposta do petista douradense as empreiteiras ficariam obrigadas a fornecer um certificado de garantia de cinco anos na entrega de obras de pavimentação asfáltica e, também, das sempre rentáveis operações tapa-buracos. A princípio, um baita negócio para a prefeitura, desde que a referência seja o padrão de qualidade “casca de ovo” da pavimentação desses tempos das tão decantadas emendas parlamentares e não o asfalto, de verdade, da maioria das ruas do centro de Dourados, implantado há mais de trinta anos, e que se transformou numa das mais lucrativas fontes de retornos pelo tanto de operação tapa-buraco suportado ao longo desse tempo.
Grosso modo, como uma máquina de lavar que até bem pouco tempo vinha de fábrica com uma garantia de dois anos, mas que durava até dez, desde que bem cuidada, o asfalto dos tempos dos prefeitos João Totó Câmara e Zé Elias resistiu a chuvas e trovoadas esses anos todos. Neste caso, a garantia de apenas cinco anos proposta por Ishy seria inócua. Como o asfalto que agora abunda, das emendas parlamentares, não resiste à passagem de uma carreta carregada com o mesmo milho e a areia coberta com piche dos buracos do asfalto de Totó e Zé Elias sendo levada na primeira garoa, os produtos eletroeletrônicos desta nova geração vêm com prazo de garantia menor, para que as lojas possam faturar, sempre coisa aí de 20% a mais, em cima da tal garantia estendida.
Assim, movido – e emocionado – pelo eco do coro das ruas ensandecidas, pode ser até que Elias Ishy esteja com a melhor das boas intenções. O problema é que ele é do PT, partido dos milionários retornos do mensalão de Lula da Silva e José Dirceu, e tido como candidato preferido de Delcídio do Amaral para a sucessão de Murilo Zauith. E, aí, morando o perigo, levando-se em conta os percentuais de retornos com os quais se contentava o senador, pelo menos até a Uragano, conforme denúncia do secretário de obras do também petista prefeito Laerte Tetila, o engenheiro Torraquinha. Se até ali cinco por cento estava bom, quem sabe agora, com uma garantia estendida de cinco anos para o asfalto a coisa não passa dos dez por cento, que é o padrão de alguns deputado federal?
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